A promessa de um emprego no exterior transformou-se em um caso cercado de incertezas para uma família da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Morador de Guaratiba, Joan Vitor dos Santos, de 27 anos, viajou para a África do Sul após aceitar uma proposta de trabalho e, desde então, passou a ser alvo de uma investigação que envolve suspeitas de estelionato, extorsão internacional e possível tráfico humano.
Casado há cinco anos e pai de um menino de 3 anos, Joan trabalhava como frentista antes da viagem. Segundo familiares, ele decidiu aceitar a proposta após enfrentar dificuldades financeiras.
Oferta de trabalho e viagem
A oportunidade surgiu em fevereiro, quando um cliente apresentou uma proposta para atuar na construção civil em Joanesburgo. A oferta incluía salário em dólar, além de moradia e alimentação por um ano.
Durante as tratativas, uma pessoa que se identificou como Tommy solicitou o envio do passaporte, afirmando que o documento seria necessário para a compra antecipada das passagens.
A decisão de aceitar o trabalho foi influenciada por um episódio recente vivido pela família. “A nossa casa pegou fogo no final do ano passado e a gente perdeu praticamente tudo. Graças a Deus não tinha ninguém em casa. A gente estava trabalhando, ele tinha ido buscar o outro filho dele, e aconteceu um curto-circuito no ar-condicionado que acabou pegando fogo em tudo”, contou a esposa, Rafaela Pereira.
No dia 9 de março, Joan embarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão, com destino à África do Sul.
Perda de contato e pedido de ajuda
Nos primeiros dias após a chegada, ele manteve contato com a família e afirmou que aguardava o pagamento para enviar dinheiro ao Brasil. “Ele perguntava sobre o filho, dizia que estava tudo bem, que estava tranquilo, que ia receber e que estava esperando o pagamento para mandar o dinheiro e ajeitar a nossa casa”, relatou Rafaela.
No entanto, em 13 de março, as mensagens cessaram. Dias depois, a família recebeu uma chamada de vídeo feita por um número internacional. Na gravação, um homem fardado aparece, e ao fundo é possível ver outras pessoas deitadas. Em seguida, Joan surge e faz um apelo.
“Chama a embaixada”, disse, antes da ligação ser interrompida.
Investigação e novas informações
O caso foi registrado na 34ª Delegacia de Polícia, em Bangu, e passou a ser investigado como tentativa de estelionato e extorsão internacional. Os familiares também procuraram o consulado sul-africano em busca de orientação.
Na semana seguinte, uma nova chamada de vídeo trouxe informações diferentes. Desta vez, Joan afirmou que havia sido retirado de um cativeiro por autoridades locais.
“Ele falava que estava sofrendo muito, que estava há três dias sem comer e que já tinham tirado eles de lá”, contou Rafaela.
Segundo ela, a conversa foi rápida. “Ele estava pressionado a falar rápido, tinha pouquíssimo tempo, só para dizer que estava bem mesmo e para pedir que a gente compartilhasse e fosse à TV falar.”
Suspeita de tráfico humano
Diante das circunstâncias, a família passou a considerar a hipótese de tráfico humano. “Ele foi para lá para trabalhar com uma coisa e, chegando lá, fizeram isso com ele”, afirmou Rafaela.
A mãe de Joan, Jane Maria Silva, disse ter sido informada por representantes diplomáticos de que situações semelhantes têm sido registradas. “A vice-cônsul da África do Sul disse que isso é um golpe que está acontecendo lá e que há muitos casos desse tipo”, relatou.
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio da Embaixada do Brasil em Maputo, em Moçambique, e que presta assistência ao brasileiro.
Enquanto aguardam novas informações, os familiares mantêm a mobilização para garantir o retorno de Joan ao Brasil. “A nossa família está arrasada. Os filhos dele não param de chamar por ele. A gente só vai sossegar quando ele estiver aqui com a gente, em segurança”, disse Rafaela.






Deixe um comentário