Fotos de Marco Antônio Cabral com suspeito de assassinar advogado no Rio foram apagadas das redes sociais

Numa das fotos, Cabral aparece de bermuda e chinelos e Cezar Daniel, no grupo, segura uma caneca de chope

Ao menos dois registros foram apagados das redes do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, nos quais aparecia próximo a Cezar Daniel Mondego — preso esta semana suspeito de ter participado do monitoramento do advogado Rodrigo Crespo Marinho no dia em que ele foi assassinado, no Centro do Rio.

Numa das imagens, publicada em dezembro de 2021, os dois aparecem em meio a uma confraternização com várias pessoas reunidas. Cabral, aparece de bermuda e chinelos e Cezar Daniel no meio do grupo, à direita, segura uma caneca de chope. Embora não fosse período de eleição, Cabral alega que a reunião se deu em “contexto eleitoral” e disse ser “óbvia” a opção por apagar as postagens:

— A referida confraternização, tinha um contexto eleitoral, com diversas pessoas que sempre atuaram na política, e minha opção por apagar, é óbvia. Sou advogado, na minha rede tem diversas fotos da minha família e eu não quero uma foto que mesmo entre 50 pessoas, tenha um cidadão suspeito de participar de um crime hediondo — disse Marco Antonio Cabral.

Na outra foto apagada das redes sociais do filho do ex-governador Sérgio Cabral os dois aparecem em atividade da campanha de 2022. Marco Antônio admite que conhece Cezar Daniel desde 2012 e que ele lhe foi apresentado como uma liderança da região de Higienópolis, na Zona Norte do Rio, mas nega que tenha indicado o suspeito para o cargo na Alerj.

— Eu faço política desde os meus 12 anos de idade. Diversas pessoas me ajudaram nas três campanhas eleitorais que eu disputei, que somaram 160 mil votos. Conheci o Daniel na campanha do ex-vereador Eduardão, no ano de 2012, como liderança do Bairro de Higienópolis. De la pra cá ele atuou em diversas campanhas, de vereadores e deputados. Não fiz a nomeação dele em 2019. Nunca tive uma relação de intimidade com ele, mas o conhecia da atividade política — disse Marco Antônio.

Entre os deputados estaduais, no entanto, corre a versão de que a nomeação de Cezar Daniel teria partido de Marco Antônio Cabral. De acordo com aliados do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj, este teria tido uma reunião a portas fechadas com Marco Antônio na última quarta-feira. Marco Antônio nega que tenha se reunido com Bacellar na data informada.

No encontro, Bacellar teria informado sobre o veto para novas nomeações ou trocas de postos na Casa. O filho de Cabral ainda manteria ingerência sobre outras três nomeações na Alerj. Bacellar também teria feito cobranças sobre o prejuízo político causado pelo vínculo de Cezar Daniel Mondego com a Assembleia.

Bacellar conta ter sido informado sobre a troca entre os indicados pelo diretor de patrimônio da Alerj e confirmou a ligação de Marco Antônio Cabral.

— O diretor de Patrimônio me disse que, na semana do crime, o Cezar o informou que precisava cuidar de questões pessoais e que, neste período, gostaria de deixar alguém da sua confiança no lugar. Como não havia suspeitas sobre ele e trabalhava no local desde 2019, a proposta foi aceita. Inclusive, foi dito a ele que, caso precisasse, poderia reassumir o seu posto, futuramente. O Cezar tinha ligações, sim, com o Marco Antônio Cabral, que aparece ao lado dele em fotos. Aliás, esta ligação é anterior ao meu mandato e a nomeação dele também, mas eu não saberia dizer se foi o Marco Antônio quem o indicou para trabalhar aqui — afirmou.

O ex-presidente da Alerj e atual secretário de assuntos federativos da Presidência da República, André Ceciliano disse nunca ter tido contato com Cezar Daniel Mondego de Souza e que a nomeação dele na Alerj em 2019, quando Ceciliano presidia a Casa, pode ter sido feita a pedido de algum deputado a um dos diretores de departamento, que têm “autonomia” para escolher seus subordinados.

— Eu não conheço essa pessoa e, na minha gestão, os diretores de departamentos tinham autonomia para nomear seus assessores. Ele não tem qualquer ligação com o meu grupo político e como não estou mais na administração da Alerj, não sei dizer quem o indicou, nem o porquê de ter sido mantido depois que saí — disse.

Por se tratar de uma suposta cota de Cabral na Alerj — da qual o ex-governador também foi presidente — este pedido teria passado diretamente por Ceciliano, que nega ter tido qualquer ingerência.

— Se este nome estivesse atrelado a mim, teria saído comigo. Todas as nomeações têm a assinatura do presidente, mas o processo seletivo, não necessariamente, passa por ele. Outras pessoas tinham esta autonomia e eu não recebi pedidos do Marco Antônio —afirmou.

Com informações de O Globo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading