Rodrigo Bacellar diz que acusado pela morte de advogado no Rio empregado na Alerj tinha ligações com Marco Antônio Cabral

Presidente da Alerj informou filho de Cabral sobre veto para novas nomeações ou trocas de postos na Casa

Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, teria sido o responsável  pela nomeação de Cezar Daniel Mondego – preso esta semana suspeito de ter participado do monitoramento do advogado Rodrigo Crespo Marinho no dia em que ele foi assassinado, no centro do Rio –, segundo versão corrente entre parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Marco Antônio teria mantido influência na Casa para indicar aliados a postos estratégicos na Alerj. De acordo com aliados do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj, ele teria realizado uma reunião a portas fechadas com Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, nesta quarta-feira.

No encontro, Bacellar informou sobre o veto para novas nomeações ou trocas de postos na Casa. O filho de Cabral ainda manteria ingerência sobre outras três nomeações na Alerj, cujos destinos dos comissionados ainda não foram definidos. Bacellar também teria feito cobranças sobre o prejuízo político causado pelo vínculo de Cezar Daniel Mondego com a Assembleia.

Bacellar conta ter sido informado sobre a troca entre os indicados pelo diretor de patrimônio da Alerj e confirmou a ligação de Marco Antônio Cabral.

— O diretor de Patrimônio me disse que, na semana do crime, o Cezar o informou que precisava cuidar de questões pessoais e que, neste período, gostaria de deixar alguém da sua confiança no lugar. Como não havia suspeitas sobre ele e trabalhava no local desde 2019, a proposta foi aceita. Inclusive, foi dito a ele que, caso precisasse, poderia reassumir o seu posto, futuramente. O Cezar tinha ligações, sim, com o Marco Antônio Cabral, que aparece ao lado dele em fotos. Aliás, esta ligação é anterior ao meu mandato e a nomeação dele também, mas eu não saberia dizer se foi o Marco Antônio quem o indicou para trabalhar aqui — afirmou.

O ex-presidente da Alerj e atual secretário de assuntos federativos da Presidência da República, André Ceciliano, disse nunca ter tido contato com Cezar Daniel Mondego de Souza e que a nomeação dele na Alerj em 2019, quando Ceciliano presidia a Casa, pode ter sido feita a pedido de algum deputado a um dos diretores de departamento, que têm “autonomia” para escolher seus subordinados.

— Eu não conheço essa pessoa e, na minha gestão, os diretores de departamentos tinham autonomia para nomear seus assessores. Ele não tem qualquer ligação com o meu grupo político e como não estou mais na administração da Alerj, não sei dizer quem o indicou, nem o porquê de ter sido mantido depois que saí — disse.

Por se tratar de uma suposta cota de Cabral na Alerj — da qual o ex-governador também foi presidente — este pedido teria passado diretamente por Ceciliano, que nega ter tido qualquer ingerência.

— Se este nome estivesse atrelado a mim, teria saído comigo. Todas as nomeações têm a assinatura do presidente, mas o processo seletivo, não necessariamente, passa por ele. Outras pessoas tinham esta autonomia e eu não recebi pedidos do Marco Antônio —afirmou.

Com informações de O Globo.

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