Flipei: Festa Literária Pirata leva debates sobre Palestina, IA e justiça social ao centro de São Paulo

A Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) chega à oitava edição com mais de 180 convidados e programação cultural gratuita

A oitava edição da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) começa na próxima quarta-feira (5) e promete transformar o centro da capital paulista em um grande espaço de encontros entre escritores, pesquisadores, artistas e movimentos culturais. Com entrada gratuita, a programação segue até domingo (9), distribuída entre diferentes espaços culturais da cidade.

As atividades serão realizadas no Espaço Cultural Elza Soares, Café Colombiano, Pratododia, Sol y Sombra Bar e Central 1926, reunindo mesas de debate, lançamentos de livros, apresentações artísticas, exposições, atrações musicais, exibições de filmes e atividades voltadas ao público infantil.

Desde sua criação, em 2018, a Flipei consolidou-se como um dos principais eventos dedicados às editoras independentes no país, reunindo autores brasileiros e estrangeiros para discutir literatura, política, cultura e questões sociais sob diferentes perspectivas.

Programação reúne debates sobre temas atuais

A edição deste ano terá uma programação ampla, marcada por discussões sobre assuntos que dominam o cenário nacional e internacional.

As mesas abordarão temas como os ataques israelenses à Palestina, maternidade, transporte público com tarifa zero, uso de substâncias psicoativas e saúde mental, direito ao aborto, violência racial e de gênero, justiça climática, inteligência artificial, bibliodiversidade e o fortalecimento das publicações independentes.

A proposta do festival é promover reflexões sobre questões contemporâneas por meio do diálogo entre escritores, pesquisadores, jornalistas, ativistas e representantes de movimentos sociais.

Ao todo, serão realizadas 65 mesas de debates, reunindo mais de 180 convidados ao longo dos cinco dias de programação.

Convidados internacionais são destaque

Entre os nomes internacionais confirmados está Ruth Wilson Gilmore, reconhecida mundialmente por seus estudos sobre o sistema prisional e o debate em torno do abolicionismo penal.

Também participam o jornalista israelense Gideon Levy, colunista do jornal Haaretz e autor do livro O Massacre de Gaza: Relatos de uma Catástrofe, publicado pela Editora Elefante; e a ativista estadunidense Medea Benjamin, cofundadora da organização Code Pink e autora de Por Dentro do Irã.

O festival receberá ainda o cientista político Augusto Nimtz, pesquisador da teoria marxista e das revoluções sociais; o historiador Rick Blackman, especialista na relação entre música e movimentos antirracistas e antifascistas; e a poeta e tradutora Tal Nitzan, cuja produção aborda literatura de resistência e direitos humanos.

Escritores e lideranças brasileiras também participam

A programação nacional reúne representantes de diferentes áreas da produção intelectual e dos movimentos sociais.

Entre os convidados estão a deputada Luiza Erundina; a escritora e ativista Cida Bento, autora de O Pacto da Branquitude; a escritora Cidinha da Silva, autora de Quando Borboletas Furiosas se Tornam Mulheres Negras: Nós e os Livros; e a líder indígena do povo Paiter Suruí, Txai Suruí.

Também participarão o filósofo Vladimir Safatle; o ativista Thiago Ávila, integrante da Flotilha da Liberdade com destino à Faixa de Gaza e que chegou a ser preso por forças de segurança israelenses; além dos jornalistas Jamil Chade e Xico Sá.

Exposição sobre funk volta após encerramento antecipado

Um dos destaques desta edição será a remontagem da exposição Funk: um Grito de Ousadia e Liberdade, com curadoria da dançarina, pesquisadora e produtora cultural Renata Prado.

Parte do acervo original será apresentada na Central 1926, localizada na Praça da Bandeira, no centro de São Paulo.

A mostra havia sido encerrada antes do previsto no Museu da Língua Portuguesa, em maio, após críticas de parlamentares e investigações conduzidas pelo Ministério Público.

Ao anunciar o retorno da exposição durante o festival, a organização da Flipei declarou:

“Classificado por intelectuais como Lilia Schwarcz como ‘censura descarada’, o fechamento da exposição – que bateu recordes de público no Rio de Janeiro e passou pela França – é respondido agora pelo festival pirata, que reafirma seu papel de território livre para as manifestações periféricas e insurgentes”.

Esporte, música e atividades para crianças ampliam programação

Pela primeira vez, a Flipei incluirá atividades esportivas em sua programação. Segundo os organizadores, a proposta é valorizar o esporte popular como instrumento de inclusão social, convivência comunitária e cuidado coletivo.

Entre as novidades estão campeonatos de pebolim e atividades de boxe popular.

O evento contará ainda com mais de 150 expositores ligados ao mercado editorial independente, mais de dez atrações musicais, saraus, sessões de cinema e a Zona Piratinhas, espaço especialmente dedicado ao público infantil, com atividades inspiradas em perspectivas indígenas e afro-brasileiras.

De acordo com a organização, cerca de 70 trabalhadores diretos e quase 500 profissionais da cultura e do mercado editorial participam da realização desta edição, reforçando a importância do festival para a cadeia produtiva do livro independente e da economia criativa.

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