Flávio Bolsonaro vota a favor de PL da misoginia, criticado por Eduardo, e gera reação na direita

Projeto aprovado no Senado equipara misoginia ao racismo, mas enfrenta críticas de aliados bolsonaristas e segue para análise na Câmara

A aprovação unânime, no Senado, do projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo provocou forte reação dentro do próprio campo conservador. O texto contou com o voto favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e agora segue para a Câmara dos Deputados.

Apesar do apoio de parlamentares de direita, a proposta foi alvo de críticas públicas de nomes ligados ao bolsonarismo. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro se manifestou nas redes sociais contra o projeto ainda antes da votação, afirmando que a medida representa uma agenda “antinatural e agressivamente antimasculina”.

Críticas internas e reação de aliados

Além de Eduardo, outros parlamentares conservadores também reagiram à aprovação, como informa O Globo. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou que o projeto “foi pensado para corroer o vínculo” entre homens e mulheres e criticou a falta de oposição no Senado.

Já a deputada Bia Kicis (PL-DF) declarou que a proposta intensifica a divisão entre os gêneros. Segundo ela, a direita teria “caído na armadilha da esquerda” ao apoiar o texto.

Na mesma linha, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a aprovação como “inacreditável” e afirmou que atuará para barrar a proposta na Câmara.

Apoio no Senado e defesa do texto

Apesar das críticas, o projeto foi aprovado com votos favoráveis de nomes como Damares Alves (Republicanos-DF) e Sergio Moro (PL-PR). Damares afirmou que analisou o texto com cautela e negou ser autora da proposta, rebatendo o que chamou de desinformação.

Relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), o projeto amplia a legislação penal ao incluir a misoginia entre os crimes motivados por discriminação. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, para casos de injúria motivada por aversão às mulheres.

Impacto jurídico e próximos passos

Especialistas avaliam que a mudança pode endurecer a punição a discursos de ódio, inclusive no ambiente digital. A misoginia passa a ser definida como manifestação concreta de ódio ou aversão ao gênero feminino, não punindo o pensamento, mas sua exteriorização.

Para juristas, a equiparação ao racismo representa um avanço na delimitação legal do discurso de ódio e pode contribuir para reduzir a impunidade em casos de violência verbal contra mulheres.

O texto segue agora para análise na Câmara dos Deputados, onde deve enfrentar resistência de parte da bancada conservadora, que promete tentar barrar ou modificar a proposta.

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