Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro(PL-RJ) faz parte da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que, nesta quarta-feira, sabatina Cristiano Zanin, indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante sua fala, Flávio aproveitou o tempo para defender o pai, que será julgado nesta quinta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Flávio lembrou o julgamento da chapa Dilma e Temer no TSE, em 2017, quando o plenário, por 4 votos a 3, decidiu pela não condenação. O desfecho manteve Michel Temer na presidência, já que a petista havia sofrido o impeachment no ano anterior.
— (isso de) Usar provas após o prazo legal, dentro de um processo para condenar alguém… Com a decisão de não levar em conta as delações, a denúncia perdeu forças e a votação inocentou a chapa formada por Dilma e Michel Temer — lembrou o senador, que criticou a inclusão, no processo contra seu pai, de informações relativas aos ataques em Brasília no 8 de janeiro.
Antes da sabatina desta quarta, Flávio já havia afirmado que, apesar de não acreditar na imparcialidade do possível magistrado, considerava a nomeação de um advogado positiva para o STF. De acordo com o senador, esses profissionais possuem “sensibilidade na hora de formar um juízo de valor”.
A portas fechadas, Flávio Bolsonaro foi fortemente aconselhado por aliados e nomes que integraram governo do pai a declarar publicamente voto a favor da aprovação de Zanin para o Supremo, como revelado pela colunista Bela Megale, do GLOBO. Para aliados, um gesto assim o aproximaria da Corte em um momento crucial. O apoio à nomeação do advogado é visto como uma maneira de restabelecer pontes com o STF, alvo de ataques constantes do ex-presidente.
Tanto Flávio quanto o pai têm evitado tecer críticas públicas à indicação de Zanin. Bolsonaro chegou, inclusive, a reforçar que a escolha de um ministro do Supremo é prerrogativa individual do chefe do Executivo.
Dentro deste cenário, Flávio Bolsonaro, que também é advogado, já sinalizou que há grandes chances de decidir pela aprovação do advogado de Lula na Corte, desde que o gesto fosse combinado com seu pai. O voto na CCJ, assim como na etapa seguinte em plenário, é secreto.
Cristiano Zanin atuou na anulação das condenações do presidente Lula que restaurou seus direitos políticos — após ficar preso por 580 dias —, permitindo sua candidatura nas eleições de 2022, em que foi eleito presidente da República pela terceira vez.
Com informações do GLOBO.





