Flávio Bolsonaro pede aos EUA adiamento de tarifas e diz que medida fortalece Lula

Senador do PL encaminha documento ao governo dos Estados Unidos propondo a suspensão das novas tarifas por 180 dias e afirma que as medidas têm fortalecido politicamente o governo Lula em ano eleitoral.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento no qual solicita o adiamento, por 180 dias, da aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Na manifestação, o parlamentar argumenta que a adoção das taxas antes das eleições presidenciais de 2026 pode produzir um efeito político contrário ao pretendido por Washington, fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No documento, de 86 páginas, Flávio afirma que as medidas tarifárias adotadas anteriormente pelos Estados Unidos não alteraram o comportamento do governo brasileiro. Segundo ele, o cenário acabou favorecendo o discurso do Palácio do Planalto, que passou a classificar as ações norte-americanas como ataques à soberania nacional.

Entre os argumentos apresentados, o senador sustenta que pesquisas de opinião indicariam um fortalecimento eleitoral de Lula nos momentos em que a pressão tarifária dos Estados Unidos ganhou maior repercussão. Para ele, novas tarifas poderiam ampliar esse efeito durante a campanha presidencial.

Como alternativa, Flávio propõe que a aplicação das tarifas seja suspensa por 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90 dias caso haja avanço nas negociações entre os dois países. O parlamentar defende que esse período permitiria ao governo brasileiro negociar sem que o tema fosse influenciado pelo calendário eleitoral.

O senador também argumenta que as tarifas podem causar prejuízos à própria economia norte-americana. Segundo ele, empresas dos Estados Unidos possuem investimentos relevantes no Brasil, enquanto consumidores e exportadores americanos também poderiam ser afetados por eventuais retaliações comerciais.

Além disso, Flávio sugere que o governo americano utilize mecanismos mais específicos, como sanções financeiras e restrições de visto previstas na Lei Magnitsky, para atingir pessoas consideradas responsáveis por práticas contestadas pelos EUA, evitando impactos generalizados sobre o setor produtivo brasileiro.

Na manifestação, o parlamentar lembra ainda que se reuniu recentemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar da relação comercial entre os dois países.

Enquanto isso, o governo brasileiro mantém um grupo formado por diplomatas, economistas e representantes políticos para negociar com as autoridades americanas. De acordo com o Executivo, quatro rodadas de conversas já foram realizadas, sendo a mais recente nesta quinta-feira (2), na tentativa de evitar a entrada em vigor das novas tarifas previstas para as próximas semanas.

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