Flávio Bolsonaro evita revelar voto sobre fim da escala 6×1 e defende liberdade ao trabalhador

Senador e candidato à Presidência afirma que prefere uma alternativa que permita ao trabalhador escolher a própria jornada, enquanto proposta apoiada pelo governo Lula avança no Senado

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, evitou informar como pretende votar no Senado caso a proposta que prevê o fim da escala 6×1 seja analisada em setembro. Em entrevista exibida neste domingo (30) pelo programa Domingo Espetacular, da Record, ele afirmou defender uma alternativa baseada na liberdade de escolha do trabalhador.

Segundo Flávio, a ideia seria manter os direitos trabalhistas previstos na Constituição, mas permitir que cada profissional tenha maior autonomia para definir sua jornada. O senador não confirmou, porém, se apoiaria ou rejeitaria o texto que tramita atualmente no Congresso.

A proposta de acabar com a escala 6×1 sem redução salarial é uma das principais bandeiras da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto já foi aprovado pela Câmara e avançou nos últimos dias no Senado, onde existe expectativa de análise nesta semana.

Proposta alternativa defendida pelo senador

Flávio argumenta que sua proposta garantiria os direitos trabalhistas atuais, mas permitiria que o trabalhador escolhesse quantas horas pretende trabalhar e como organizar sua escala. A ideia é semelhante a uma das emendas apresentadas pela oposição no Senado.

O senador também citou os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia e do Habib’s como exemplos do que considera um ambiente desfavorável à criação de empregos no país. Para ele, mudanças nas regras trabalhistas precisam levar em conta as condições enfrentadas pelas empresas.

No Senado, a oposição apresentou 14 emendas para modificar a proposta aprovada pela Câmara. Uma delas mantém a jornada de 44 horas semanais na Constituição e deixa eventual redução para negociação coletiva ou contratos por hora. A bancada bolsonarista também apresentou uma PEC com previsão de um novo regime de trabalho e pagamento por hora trabalhada.

Texto sobre jornada ganhou força no Senado

O avanço da discussão sobre o fim da escala 6×1 foi consolidado após uma reunião entre Lula, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na quarta-feira (26).

No dia seguinte, o senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou seu relatório sobre a PEC e manteve o texto aprovado anteriormente pela Câmara. A estratégia busca evitar que mudanças feitas pelo Senado obriguem a proposta a retornar aos deputados, o que poderia dificultar sua promulgação antes das eleições.

Enquanto a discussão sobre a jornada de trabalho avança, Flávio também foi questionado sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produzido sobre seu pai, Jair Bolsonaro. O senador voltou a afirmar que não haveria irregularidade na busca por patrocínio privado para uma produção privada, mas não apresentou novos documentos ou números auditados durante a entrevista.

Flávio fala sobre Jair Bolsonaro e eventual governo

Durante a entrevista, o candidato também afirmou que, caso seja eleito, pretende trabalhar pela aprovação de uma anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo ele, se a medida não for aprovada ainda neste ano, poderá conceder indulto aos condenados.

Flávio também foi questionado sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro ocupar um ministério em eventual governo seu. O senador respondeu que a decisão dependeria da vontade do próprio pai e afirmou que nunca conversou com ele sobre a possibilidade.

Na entrevista, Flávio ainda falou sobre o STF e disse que o próximo presidente poderá indicar ao menos quatro ministros para a Corte. Ele afirmou que escolheria homens e mulheres considerados patriotas, contrários ao aborto e às drogas, além de comprometidos, segundo ele, com a segurança jurídica e a credibilidade do Supremo.

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