Um dia antes de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, segundo relatos de pessoas próximas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) garantiu publicamente que não pretendia sair do país, prometeu entregar seus passaportes à Polícia Federal e anunciou que permaneceria à frente da oposição ao governo Lula. As declarações foram feitas em um vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), depois de o parlamentar ser intimado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, afirmou Flávio na gravação. O senador acrescentou: “Mas ninguém vai me calar”.
Nesta terça-feira (27), menos de 24 horas depois da manifestação, um aliado próximo confirmou à agência Reuters que o candidato derrotado na eleição presidencial havia partido para os Estados Unidos. Flávio não entregou os passaportes comum e diplomático até as 11h, prazo estabelecido pelo STF. Ao meio-dia, a Polícia Federal cancelou os documentos.
Promessa de liderar a oposição a Lula
No vídeo, Flávio também apresentou seus planos para o período posterior à derrota eleitoral de domingo (25), quando Lula conquistou a reeleição com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
O senador afirmou que pretendia reunir parlamentares eleitos para construir uma frente de resistência política ao novo mandato do petista.
“Eu vou reunir os deputados, senadores eleitos, para organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza contra a barbárie que já está desenhada para acontecer com mais quatro anos de Lula”, declarou.
Na mesma manifestação, Flávio voltou a questionar o resultado das eleições e acusou o governo de promover insegurança jurídica. As críticas foram apresentadas sem comprovação de irregularidades capazes de alterar o resultado da votação.
O vídeo foi divulgado no perfil oficial do senador no Instagram, @flaviobolsonaro, e reproduzido em reportagens sobre a intimação.
Senador contestou decisão de Moraes
Flávio relatou que foi abordado por agentes da Polícia Federal quando deixava a residência do pai, Jair Bolsonaro, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.
Segundo o senador, a determinação de Alexandre de Moraes teria sido motivada por uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro, que sugeriu, em entrevista no dia 23 de outubro, que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas eleições.
“Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou o parlamentar na gravação.
A apreensão dos passaportes foi determinada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades e considera as medidas uma tentativa de intimidação política.
Viagem aos Estados Unidos e passaportes cancelados
A notícia da saída do senador foi divulgada inicialmente pelo portal argentino Infobae, que apontou uma possível passagem de Flávio pela região de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil. Posteriormente, a informação de que ele seguia para os Estados Unidos foi confirmada à Reuters por um aliado próximo. A rota utilizada pelo parlamentar ainda não havia sido esclarecida oficialmente.
O episódio ocorre em meio a uma sequência de casos envolvendo integrantes do bolsonarismo que passaram a viver no exterior enquanto enfrentavam investigações ou condenações no Brasil, entre eles Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. A situação de Flávio, entretanto, ainda depende de esclarecimentos sobre as circunstâncias de sua saída e as consequências do descumprimento da ordem judicial.







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