Fim melancólico: CPI das Bets rejeita indiciamento de Virginia, Deolane e mais 14 e fica sem relatório final

Senado votou nesta quinta‑feira e, por 4 votos a 3, derrubou documento que pedia investigação de influenciadoras e empresários

O Senado derrubou nesta quinta-feira (12), por 4 votos a 3, o relatório final da CPI das Bets, proposto pela relatora senadora Soraya Thronicke (Podemos‑MS). O documento buscava o indiciamento de 16 pessoas — entre elas as influenciadoras Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra, além de empresários e representantes de casas de apostas — por crimes como estelionato, propaganda enganosa, lavagem de dinheiro e contravenções ligadas a jogos de azar

“Isto (a reprovação do relatório) não me impede de levar a documentação que reunimos às autoridades competentes. Eu vou marcar com a PGR, o ministro da Justiça, o secretário de Defesa do Consumidor e o ministro da Fazenda e o presidente da República” afirmou a relatora, como informa O Globo.

As principais acusações e defesas

Virgínia Fonseca

O relatório aponta que ela utilizava “conta simulada” para fingir apostas de valores elevados em vídeos patrocinados, o que configuraria propaganda enganosa e estelionato por induzir seguidores ao erro e obter vantagens financeira.

Em nota, Virgínia declarou estar “surpresa e espantada” e disse que a defesa se manifestará oportunamente, lembrando que “outros influenciadores digitais que agiram licitamente” receberam o mesmo tratamento.

Deolane Bezerra

A advogada e influenciadora foi acusada de promover a bet Zeroum — sem autorização federal — e de omitir essa condição ao vincular a empresa como nacional no Brasil. O relatório aponta indícios de lavagem de dinheiro e destaca que ela vendeu sua participação por R$ 30 milhões sem registro de recebimento, além de movimentações suspeitas compatíveis com sonegação.

Nas redes, Deolane reagiu de forma lacônica: “Tá faltando nomes aí” ao comentar a lista de indiciados. A Zeroumbet, em nota, afirmou que ela era apenas “embaixadora da marca” e que os administradores citados não eram sócios.

Novos indiciamentos e lobby

Entre os demais investigados estão Adélia Soares (ex-BBB e advogada), acusada de integrar esquema ligado à máfia chinesa e de lavagem; assim como Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandinho OIG”, e outros empresários, sob suspeita de usar publicidade como fachada para lavagem de dinheiro.

Vários defensores do relatório, entre eles Eduardo Girão (NOVO‑CE), classificaram a CPI como tímida e criticaram supostos conflitos de interesse — por exemplo, no caso de senadores que teriam feito viagens custeadas por empresários ligados ao setor.

Críticas ao processo

O senador Eduardo Gomes (PL‑TO) e outros votaram contra alegando prática de “show midiático” e conflitos que ferem o modelo de atuação das CPIs. Angelo Coronel (PSD‑BA), favorável à regulamentação, afirmou que não leu o relatório com a devida profundidade para emitir voto.

A votação ocorreu em uma sessão marcada por baixo quórum — cerca de seis senadores presentes — apontando o desgaste político e falta de adesão pública da comissão.

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