O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, considerado um dos principais pensadores contemporâneos sobre democracia e esfera pública, morreu neste sábado (14), aos 96 anos.
A informação foi confirmada pela editora Suhrkamp. Habermas faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. Ainda não há detalhes sobre a causa da morte.
Quem foi Habermas
Nascido em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf, Habermas estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia entre 1949 e 1954 nas universidades de Universidade de Göttingen, Universidade de Zurique e Universidade de Bonn.
Ao longo da carreira acadêmica, lecionou em instituições como a Universidade de Heidelberg, a Universidade de Frankfurt e a Universidade da Califórnia, Berkeley. Também dirigiu o Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida do Mundo Científico-Técnico, em Starnberg.
Habermas recebeu diversos prêmios e títulos honorários ao longo da vida, entre eles o Prêmio da Paz da Indústria Livreia Alemã, em 2001, e o Prêmio Kyoto, em 2004.
Teoria da esfera pública
Considerado herdeiro da Escola de Frankfurt, Habermas foi assistente do filósofo Theodor Adorno e dedicou grande parte de sua obra ao estudo da democracia, da racionalidade comunicativa e do papel do debate público nas sociedades modernas.
Em sua obra mais conhecida, Teoria do Agir Comunicativo (1981), o filósofo diferencia a ação estratégica — orientada por interesses individuais — da ação comunicativa, baseada no diálogo e na busca coletiva por entendimento.
A partir dessa ideia, desenvolveu o conceito de política deliberativa, segundo o qual a legitimidade democrática nasce do diálogo entre cidadãos livres e iguais, e não apenas do poder econômico ou da força política.
Essas reflexões também aparecem em Direito e democracia: entre facticidade e validade (1992), obra em que o pensador buscou aplicar sua teoria à organização institucional das democracias contemporâneas.
Para Habermas, a chamada “esfera pública” — espaço informal de debate que inclui desde conversas cotidianas até manifestações políticas — é fundamental para mediar a relação entre o Estado e a sociedade.






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