Uma nova revelação da série de reportagens “Vaza Flávio”, publicada pelo Intercept Brasil, aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a tratar como prioridade máxima os pagamentos destinados ao filme “Dark Horse”, projeto cinematográfico ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após uma cobrança atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo a reportagem divulgada nesta terça-feira (2), mensagens obtidas pelo veículo mostram que Vorcaro acompanhou pessoalmente o andamento dos aportes financeiros destinados ao projeto, mesmo em um período em que o Banco Master enfrentava desafios relacionados à liquidez, captação de recursos e exigências regulatórias.
De acordo com o Intercept, a movimentação ocorreu em janeiro de 2025. Na ocasião, o empresário Thiago Miranda, apontado como intermediário nas negociações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, teria alertado o banqueiro sobre o vencimento do prazo para o primeiro aporte previsto para o filme.
A mensagem encaminhada a Vorcaro incluía uma conversa atribuída ao senador Flávio Bolsonaro. No diálogo reproduzido pela reportagem, o parlamentar solicita que Miranda ajude a acelerar uma resposta jurídica necessária para destravar a operação financeira. Flávio menciona ainda que o roteirista do projeto estaria contratado apenas até janeiro daquele ano.
Pouco depois da cobrança, Vorcaro teria passado a acompanhar diretamente a situação. Em conversas posteriores com Fabiano Zettel, empresário, pastor e cunhado do banqueiro, o controlador do Banco Master questiona repetidamente se os pagamentos relacionados ao filme haviam sido efetuados.
Em uma das mensagens destacadas pelo Intercept, Zettel informa que administrava cerca de 55,5 milhões em pagamentos pendentes. O projeto cinematográfico, entretanto, sequer aparecia entre as prioridades financeiras listadas naquele momento. A resposta de Vorcaro chamou a atenção dos jornalistas responsáveis pela investigação. Segundo o conteúdo divulgado, o banqueiro afirmou que o filme era “o mais importante disparado” e acrescentou que o compromisso “não pode falhar mais”.
Cronograma milionário
A reportagem informa que documentos obtidos anteriormente pela série “Vaza Flávio” apontam a previsão de quase US$ 24 milhões em aportes para o projeto cinematográfico, valor equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões pela cotação da época.
Ainda segundo o Intercept Brasil, até maio de 2025 o fundo Havengate, responsável pela produção do filme e controlado pelo advogado Paulo Calixto, teria recebido ao menos US$ 10,6 milhões.
O veículo destaca que as mensagens ajudam a esclarecer os bastidores da operação financeira e sugerem que os desembolsos destinados ao filme receberam tratamento diferenciado dentro da estrutura financeira comandada por Vorcaro.
Procurados pela reportagem do Intercept, as defesas de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto não haviam se manifestado até a publicação da matéria. O veículo informou que o espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.
As informações integram a série investigativa “Vaza Flávio”, que vem divulgando documentos, mensagens e áudios relacionados às negociações envolvendo o financiamento do projeto cinematográfico sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.






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