Filhos confirmam ao júri que mãe confessou envenenamento de enteados no Rio

Depoimentos reforçam acusação contra Cíntia Mariano; sobrevivente relata feijão com “pontinhos azuis” antes de passar mal

O julgamento de Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de envenenar os dois enteados com “chumbinho”, começou nesta quarta-feira (4) no III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Durante a sessão, dois filhos biológicos da ré afirmaram que ela confessou ter colocado veneno na comida dos jovens.

Lucas Mariano Rodrigues, filho de Cíntia, prestou depoimento como testemunha de acusação e disse que já suspeitava da mãe antes mesmo da confissão. Segundo ele, a confirmação veio após o enteado Bruno Cabral passar mal e ser levado ao hospital.

“Eu já sabia que tinha sido ela. Quando ela me ligou, eu já soube”, afirmou Lucas durante o julgamento.

Filho relata confissão da mãe após episódio com enteado

De acordo com Lucas, a conversa aconteceu quando ele buscou a mãe no hospital e a levou para a casa da avó. Foi nesse momento que decidiu questioná-la diretamente sobre o que havia acontecido.

“Eu perguntei se ela tinha feito e ela assumiu que tinha feito com o Bruno. Ela começou a chorar e eu perguntei da Fernanda. E ela falou que tinha feito com a Fernanda também”, contou.

O filho da acusada relatou ainda que pediu para que a mãe repetisse a confissão para a irmã, Carla Mariano Rodrigues, o que teria ocorrido posteriormente.

Segundo Lucas, ao falar sobre os crimes, Cíntia citou diversas vezes o nome de Adeílson Cabral, pai das vítimas e companheiro dela na época.

Filha também confirma confissão durante encontro com a mãe

Carla Mariano Rodrigues também prestou depoimento no júri e confirmou que ouviu da própria mãe a admissão do crime. Ela contou que decidiu encontrá-la pessoalmente depois que o irmão revelou que Cíntia havia confessado.

Na época, Carla estava na casa do pai, em Muriqui, e voltou para conversar com a mãe na residência da avó.

“Eu falei para ela: ‘mãe, eu preciso ouvir da sua boca’. A gente saiu da sala, ela se sentou e falou: ‘Eu fiz’”, relatou.

Carla afirmou que a mãe não explicou os motivos para o crime. Segundo ela, naquele momento surgiu o medo de que Cíntia fugisse antes da chegada da polícia.

Sobrevivente descreve almoço suspeito e feijão com pontos azuis

O primeiro a depor no julgamento foi Bruno Carvalho Cabral, que sobreviveu ao envenenamento. No tribunal, ele relembrou o dia em que passou mal após almoçar na casa da madrasta.

O jovem contou que estranhou o sabor da comida e percebeu algo incomum no prato.

“Percebi que o gosto estava estranho e reparei muitos pontinhos azuis no feijão”, afirmou.

Segundo Bruno, naquele dia a madrasta entregou apenas a ele um prato já servido com feijão, o que chamou a atenção.

“Na hora de todo mundo se servir, ela já me deu o prato com feijão. Só o meu. Achei estranho, mas comecei a comer”, disse.

Sintomas graves após refeição e lembrança da morte da irmã

Após o almoço, Bruno foi para a casa da mãe e pouco depois começou a passar mal. Ele relatou que acordou com sintomas graves.

“Minha mãe disse que eu acordei com a língua enrolada e gritando por ela”, contou.

O jovem afirmou que teve dificuldade para caminhar e enxergar e precisou ser levado ao hospital. Ao lembrar do episódio durante o depoimento, ele se emocionou ao falar da irmã, Fernanda Cabral, que morreu após um caso semelhante.

“Quando eu acordei envenenado, já soube que com ela tinha acontecido a mesma coisa”, disse.

Acusação aponta envenenamento com ‘chumbinho’

Cíntia Mariano responde por homicídio qualificado pela morte de Fernanda Cabral, de 22 anos, e por tentativa de homicídio contra Bruno, que tinha 16 anos na época.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a acusada teria colocado veneno na comida dos dois enteados em ocasiões diferentes em 2022.

A denúncia aponta que Fernanda passou mal após ingerir a refeição contaminada em março daquele ano e morreu 13 dias depois. Em maio, Bruno também apresentou sintomas de envenenamento após comer feijão na casa da madrasta, mas conseguiu sobreviver.

Laudos periciais indicaram que as vítimas apresentaram sinais compatíveis com intoxicação por carbamato, substância presente no chamado “chumbinho”.

Júri decide se acusada será condenada ou absolvida

O caso é julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por crimes dolosos contra a vida. Sete jurados sorteados entre cidadãos convocados pela Justiça decidirão se a ré será condenada ou absolvida.

Após os depoimentos das testemunhas, a ré será interrogada e poderá responder às perguntas da acusação e da defesa ou optar por permanecer em silêncio.

Em seguida, começam os debates entre Ministério Público e defesa. Ao final, os jurados se reúnem em sala secreta para votar os quesitos que definirão o veredicto do caso.

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