Defesa abandona plenário e júri de acusada de envenenar enteados é adiado

Cíntia Mariano é acusada de matar enteada e tentar envenenar o enteado; caso chocou o Rio em 2022

A sessão do júri popular de Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de envenenar os enteados com chumbinho, foi remarcada para o dia 4 de março de 2026, no III Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O julgamento seria na tarde desta terça-feira (21), mas foi adiado após os advogados de defesa abandonarem o plenário, em protesto contra a decisão judicial que negou o pedido de adiamento da sessão.

Cíntia Mariano é apontada como autora do assassinato da enteada Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, e da tentativa de homicídio contra Bruno Cabral, então com 16 anos. Os crimes ocorreram em Realengo, na Zona Oeste do Rio, em 2022.

Na decisão que remarcou o júri, o juíz destacou que o abandono deliberado do plenário por parte da defesa constitui “tática processual que atenta contra a dignidade da Justiça e o dever de lealdade processual”. O juiz ainda ressaltou o desperdício de recursos públicos com o adiamento e determinou que o advogado responsável arque com o custo da sessão e uma multa de 10 salários mínimos, além do ressarcimento do valor integral do julgamento, a ser calculado pela Contadoria Judicial.

O crime

Segundo as investigações da 33ª DP (Realengo), Cíntia teria colocado veneno do tipo chumbinho na comida dos enteados em um intervalo de dois meses. A motivação seria ciúmes da relação deles com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, com quem ela vivia havia seis anos.

Fernanda morreu em março de 2022, após 13 dias internada no Hospital Albert Schweitzer, também em Realengo. Pouco depois, Bruno passou mal após almoçar na casa da madrasta e percebeu que o feijão servido tinha gosto amargo e pequenos grãos azulados. Ele sobreviveu e denunciou o caso à polícia, o que levou à abertura do inquérito.

Envenenamento comprovado

Durante as investigações, o delegado Flávio Rodrigues, titular da 33ª DP, destacou a importância dos laudos médicos.
“Quando se faz a análise do prontuário médico da Fernanda, nota-se mais de dez menções de médicos e nutricionistas a um diagnóstico de intoxicação exógena. É uma peça fundamental que comprova que, de fato, Cíntia envenenou Fernanda”, afirmou à época.

Cíntia foi presa dois meses após a morte da enteada, durante depoimento na delegacia. Antes da prisão, ela ainda tentou se suicidar. A exumação do corpo de Fernanda confirmou a presença de substâncias compatíveis com chumbinho.

Após vários adiamentos, o Tribunal de Justiça manteve a prisão da acusada e determinou que ela fosse julgada por homicídio e tentativa de homicídio qualificados.

Com o novo adiamento, o caso volta ao tribunal apenas em março de 2026, quatro anos após o crime que chocou o Rio de Janeiro.

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