A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que exerceu papel de grande visibilidade no golpe de 2016, espalhando patos amarelos nas passeatas pelo impeachment, e apoiou firmemente a ascensão de Bolsonaro e da extrema direita ao poder, agora lidera um movimento para censurar obsequiosamente o governo e cobrar “harmonia” entre os três poderes. O texto não citará o nome de Bolsonaro. O documento terá o título de “A Praça é dos 3 Poderes”.
O movimento, nascido no interior da Febraban, sob a liderança dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, como informa o colunista Lauro Jardim, do Globo, resultará num manifesto a ser divulgado esta semana, que já está provocando polêmica por ser considerado abusivo por Bolsonaro e equivocado pela oposição.
A bem, da verdade, os empresários descobriram que Bolsonaro e Paulo Guedes não são bons para os seus negócios, mas querem questionar sem atrapalhar. Para isto, contam com a condescendência da mídia tradicional, que dará ampla divulgação ao seu documento.
Banco do Brasil e Caixa já ameaçam romper com a Febraban, o que seria um baque na instituição. Já receberam autorização de Bolsonaro e Guedes para este rompimento.
Já os sindicalistas se recusam a dar qualquer apoio ao documento, por considerá-lo injusto, ao tentar distribuir ao Judiciário e ao Legislativo culpas pela crise que, na verdade, são apenas do governo.
O rascunho do texto, assinado por dezenas de associações e entidades empresariais, pede gestos de pacificação entre os Poderes diante da escalada das ameaças de ruptura institucional.
Além da Febraban e da Fiesp, Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Instituto Brasileiro da Árvore (Ibá, da indústria de celulose e papel), Abinee (indústria elétrica e eletrônica), Fenabrave (distribuição de veículos), Fecomércio, Alshop (lojistas de Shopping), Sociedade Rural Brasileira e o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) vão assinar o manifesto.
“O texto do manifesto ainda está sendo revisado, mas a ideia geral é dar um recado curto e objetivo para os três Poderes: é preciso que cada lado faça ‘gestos magnânimos’ para distensionar o ambiente político e dissipar incertezas que podem prejudicar o processo de recuperação da economia brasileira”.
Os sindicatos dos trabalhadores devem se posicionar nos próximos dias sobre o manifesto da Fiesp. João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, explicou a situação. Ele declarou que foi avaliado que o posicionamento de Skaf divide responsabiliodades entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Tal visão vai na contramão do que as entidades pensam.
“Faltou ser mais incisivo e dizer onde está o nó das coisas. Na nossa opinião, o nó que prejudica a economia e o desenvolvimento político e econômico é a maneira como Bolsonaro conduz as coisas”, relatou Juruna.
Os trabalhadores consideraram o manifesto de Paulo Skaf muito brando. O possível candidato ao Senado em 2022, Paulo Skaf, é visto como um dos representantes do setor privado mais próximos do presidente. Por conta disso, recebeu críticas pelo seu posicionamento no próprio governo federal, levando ministros mais ligados ao presidente a perguntar de que lado, afinal, está Skaf.
Ainda que divida culpas e tome o cuidado de não citar e não criticar severamente Bolsonaro, o movimento dos bancos e da Fiesp é visto como um sinal evidente de que o empresariado está preocupado com os danos que a radicalização do presidente está causando à economia, minando expectativas de retomada. Um sinal desta impaciência foi visto na rua Faria Lima, onde se localiza a nata da elite empresarial brasileira: cartazes colados nos prédios e nos muros fazem um trocadilho com ataque direto ao ministro da Economia: uma imagem de Paulo Guedes com o título “Faria Loser”.

(Com informações do Brasil 247, DCM, O Globo, Folha e Estadão)






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