Empresários se dividem e agronegócio decide lançar documento próprio sobre a crise, mais crítico ao governo do que pretendia a Fiesp

A decisão do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, de suspender a divulgação de um documento em defesa da harmonia entre os poderes, assinado por dezenas de empresários, surpreendeu os signatários, que a consideraram unilateral. Skaf, ligado a Bolsonaro, atendeu a um pedido de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputgados. No entanto, entidades do setor…

A decisão do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, de suspender a divulgação de um documento em defesa da harmonia entre os poderes, assinado por dezenas de empresários, surpreendeu os signatários, que a consideraram unilateral. Skaf, ligado a Bolsonaro, atendeu a um pedido de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputgados.

No entanto, entidades do setor agroexportador decidiram produzir e distribuir um documento próprio, independentemente da Fiesp. No texto, defendem o estado democrático de direito garantidor da “liberdade empreendedora”, o inverso de “qualquer politização ou partidarização nociva” que agrava os problemas do País. O texto do agronegócio não cita Bolsonaro, mas adota um tom incisivo ao descrever a sociedade brasileira como “permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais”.

Segundo reportagem do Estadão, o texto é assinado por agremiações do setor agroexportador nacional. “Diante da decisão da Fiesp, essas entidades acharam melhor se manifestarem de forma conjunta e independente”, disse Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). “Entendemos que se manifestar faz parte do espírito republicano.”

Embora evite “fulanizar” o recado, como disse um dos responsáveis pelo documento, a mensagem é endereçada ao governo.

As entidades dizem que estão preocupadas com os atuais desafios à harmonia político-institucional e à estabilidade econômica e social do País. “Em nome de nossos setores, cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes, num chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil e de sua história”, diz o documento. “Somos uma das maiores economias do planeta, um dos países mais importantes do mundo, sob qualquer aspecto, e não nos podemos apresentar à comunidade das Nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais.”

O manifesto tem como signatários a Abag, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), a Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), a Croplife Brasil (que representa empresas de defensivos químicos, biológicos, mudas, sementes e biotecnologia), a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Setores representativos da agroindústria manifestam desde o início do atual governo preocupação com o crescente desmatamento florestal no País, o que ocasiona perda de mercados importantes na Europa e Estados Unidos. A crise institucional agravou a situação, segundo o representante de uma associação. “O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter”, alertam as entidades. “Somos força do progresso, do avanço, da estabilidade indispensável e não de crises evitáveis”

O texto lembra que, sob a Constituição Federal de 1988, a sociedade escolheu viver e construir o País por meio do estado democrático de direito. “Mais de três décadas de trajetória democrática, não sem percalços ou frustrações, porém também repleta de conquistas e avanços dos quais podemos nos orgulhar. Mais de três décadas de liberdade e pluralismo, com alternância de poder em eleições legítimas e frequentes”, citam as entidades.

Segundo elas, o desenvolvimento econômico e social do País, para ser efetivo e sustentável, requer paz e tranquilidade, reconhecendo as minorias, a diversidade e o confronto respeitoso de ideias. “Acima de tudo, uma sociedade que não mais tolere a miséria e a desigualdade, que tanto nos envergonham.”

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