O órfão do pato amarelo: Skaf ensaiou rompimento com governo, enrolou empresários ao recuar de manifesto, e acabou queimado com todo mundo

A suspensão da divulgação de um manifesto do setor produtivo sobre a crise institucional vivida pelo país, ocorrida esta semana, pode comprometer o futuro político do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Depois de um período de proximidade com o presidente Jair Bolsonaro, o dirigente empresarial vinha se…

A suspensão da divulgação de um manifesto do setor produtivo sobre a crise institucional vivida pelo país, ocorrida esta semana, pode comprometer o futuro político do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Depois de um período de proximidade com o presidente Jair Bolsonaro, o dirigente empresarial vinha se afastando do governo federal nos últimos meses e ensaiava uma candidatura ao Senado em 2022 em uma chapa com Geraldo Alckmin, que deve concorrer ao governo.

Skaf é o inventor do pato amarelo usado em passeatas como instrumento para apoiar o golpe que destituiu Dilma Rousseff.

Segundo reportagem do Globo, de acordo com dirigentes partidários a situação de Skaf agora fica fragilizada. A sua credibilidade como liderança está abalada ao atender ao pedido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para segurar o texto. Seria difícil medir o seu real posicionamento no plano nacional numa eleição que deve ser marcada pela polarização.

O presidente da Fiesp teria dificuldade para se posicionar como simpático a Bolsonaro depois de ter feito o movimento para articular o manifesto. Também enfrentaria problemas para se colocar como opositor, por ter sido próximo ao governo e ter cedido à pressão para segurar o documento.

Skaf, atualmente no MDB, vinha considerando se filiar ao PSD, partido que também deve receber Alckmin. A chapa ainda incluiria o ex-governador Márcio França (PSB) como vice. O PSB faz oposição dura a Bolsonaro, e o PSD tem se distanciado cada vez mais do governo. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, vem fazendo críticas ao presidente e chegou a dizer recentemente que a “crise institucional do país é sem precedentes”.

No início do governo Bolsonaro, Skaf recebeu o presidente e seus ministros inúmeras vezes na sede da Fiesp, na Avenida Paulista.

A aproximação do dirigente empresarial tinha, de acordo com interlocutores, o objetivo de obter vantagens políticas e impedir que fossem feitas mudanças no sistema S, cujos recursos são oriundos de contribuições que incidem sobre a folha de pagamento das empresas. O dinheiro banca entidades como o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), vinculados à Fiesp. O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a falar que queria “passar a faca” no sistema S.

Há alguns meses, Skaf sonhava ainda, segundo empresários, em disputar o governo de São Paulo com apoio de Bolsonaro, mas viu o presidente passar a estimular a candidatura do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

Com a queda de popularidade do presidente e sem avanços significativos na agenda liberal de Guedes, Skaf começou a procurar caminhos diferentes, embora nunca tenha criticado publicamente o governo.

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