Depois de sair do Mercadão de Madureira, na Zona Norte, no meio da tarde, a imagem de Iemanjá chegou à praia de Copacabana, Zona Sul, num cortejo, por volta das 17h. Centenas de pessoas lotaram a areia, a grande maioria usando roupas brancas. A saudação à orixá, às vésperas da virada do ano, é para agradecer, mas também para pedir um 2025 de paz.
Há 22 anos organizando o passe na festa de Iemanjá, o Pai Joelmir D’Oxóssi, do Templo Umbandista Oxóssi Caçador, lembra que, antigamente, esse festejo era realizado na noite da virada.
— Depois que o (antigo hotel) Meridien fez sua cascata, começou a lotar muito a praia, até fogos na areia tinham. E isso foi afastando muito os terreiros, que ainda fazem a festa, mas fora do dia 31 — diz o líder religioso, que reclama do palco gospel que será montado no Leme, na virada. — Quem fez esse evento crescer foram os umbandistas, os espíritas.

Quando o cortejo chegou, barcos com flores e presentes, trazidos de Madureira, foram carregados pela areia. Uma imagem de Iemanjá foi colocada no meio de uma roda, em que se cantava cânticos à rainha do mar, mas também a outros orixás. Barcos com oferendas e pedidos foram colocados no mar no anoitecer.

A dona de casa Maria das Graças Dias, de 74 anos, conta que participa da festa de Iemanjá desde que sua filha era criança. Letícia Dias, que acompanha a mãe, está com 39 atualmente.
— Sempre venho. Quando não, vou ao Mercadão — conta Maria, que mora em Marechal Hermes. — Essa festa é importante porque está todo mundo aqui com um só pensamento, de um ano de paz.
Na areia, também foi montada uma barraca vendendo, em garrafas, banhos para abrir os caminhos. Uma unidade custa R$10 e deve ser usada na noite da virada. Segundo a enfermeira Rita Maria, que conheceu a casa de umbanda que frequenta numa festa de Iemanjá na praia de Copacabana, o dinheiro arrecadado será usado para manter o templo religioso e um projeto social que está instalado na Praça Seca e faz festas para crianças ao longo do ano.

Com informações de O Globo





