Em meio às negociações para enfrentar a crise de liquidez, o BRB (Banco de Brasília) passou a ter seu futuro debatido não apenas no âmbito do governo do Distrito Federal, mas também entre banqueiros e executivos do setor financeiro. Ainda que distante do cenário desejado pelo Palácio do Buriti, a possibilidade de federalização da instituição começou a ser mencionada como um eventual desfecho, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
A alternativa não lidera a lista de soluções em análise, mas a hipótese de o BRB ser incorporado por um banco público federal, como Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, não é considerada impossível nos bastidores. Movimento semelhante já ocorreu no passado no sistema financeiro brasileiro, como no caso do banco Votorantim.
Apesar disso, a medida encontra resistência no meio político local, onde predomina a defesa da manutenção do banco sob controle do governo distrital.
Privatização e aporte bilionário
Entre as alternativas vistas com maior simpatia pelo mercado está a privatização. Uma fonte envolvida nas negociações afirma que essa seria a solução preferida por parte do setor bancário. O BRB necessita de reforço de capital que pode alcançar até R$ 6 bilhões, a depender do desfecho das análises em curso.
A principal proposta em discussão prevê um empréstimo estruturado em partes iguais entre o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e um consórcio formado pelos maiores bancos do país. O financiamento seria contratado pelo governo do Distrito Federal, que ofereceria garantias na operação, sujeitas à aprovação da Câmara Legislativa do DF. A legislação vigente permite esse tipo de medida.
Outra possibilidade analisada é a compra de letras financeiras subordinadas emitidas pelo BRB. Esses títulos de renda fixa compõem o capital das instituições financeiras. No entanto, essa alternativa é considerada mais difícil de prosperar, segundo pessoas próximas às tratativas.
Também foi cogitado um aumento de capital por meio da emissão de novas ações, mas a proposta enfrenta resistências diante do abalo reputacional sofrido pelo banco após seu envolvimento com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Ainda não é conhecido o impacto total das operações realizadas com a instituição de Daniel Vorcaro, incluindo a aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro.
Entraves e limitações
Um dos obstáculos à solução passa pela posição dos grandes bancos públicos federais. Banco do Brasil e Caixa não receberam autorização da União para analisar ativos ou participar diretamente de eventuais medidas de socorro ao BRB. Até o momento, essas instituições não adquiriram carteiras de crédito do banco distrital, ao contrário do que ocorreu com bancos privados.
O governador Ibaneis Rocha minimizou as especulações sobre o futuro da instituição. Procurado, afirmou que a imprensa “especula muito”. “Sobre o banco quem fala é o Nelson”, escreveu ele, em referência ao presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza.
Fontes com conhecimento interno do banco consideram a federalização uma hipótese remota no cenário atual, embora reconheçam que ela poderia se tornar realidade caso o Banco Central imponha algum regime especial à instituição, o que não ocorreu até o momento.
Apuração e alternativas em estudo
Em nota, o BRB informou que “qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados” pelo Banco Master.
Segundo o banco, “Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados com apoio técnico da Kroll. Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas”.
A instituição acrescentou que estuda diferentes caminhos, entre eles a venda das carteiras oriundas do Master, a criação de fundo com imóveis do controlador, a contratação de empréstimo junto ao FGC ou a um consórcio de bancos e o aporte direto dos controladores.
“O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança de seus clientes, a manutenção da solidez e a continuidade de suas operações”, concluiu o banco.
Enquanto as negociações avançam, o futuro do BRB permanece em aberto, com alternativas que vão da reestruturação interna à privatização e, em cenário mais distante, à federalização.






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