O FBI realizou nesta sexta-feira buscas na residência de John Bolton, em Maryland, como parte de uma investigação sobre o manuseio de documentos confidenciais. Bolton, que atuou como conselheiro de segurança nacional no primeiro mandato de Donald Trump e hoje é um de seus principais críticos, não foi detido nem formalmente acusado, segundo informou à Associated Press uma fonte com conhecimento do caso.
A pessoa ouvida pela agência falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a comentar o processo. A operação ocorre em um momento em que Trump, novamente presidente dos Estados Unidos, tem intensificado ações contra antigos aliados e adversários políticos.
Nem Bolton nem seus representantes se pronunciaram até agora. A Casa Branca e o Departamento de Justiça também não comentaram oficialmente a investigação.
Repercussão imediata
Embora não tenha havido declaração formal, aliados de Trump fizeram menções indiretas ao caso em redes sociais. O diretor do FBI, Kash Patel, escreveu no X: “NINGUÉM está acima da lei… @Agentes do FBI em missão.” A procuradora-geral Pam Bondi compartilhou a postagem e acrescentou: “A segurança dos Estados Unidos não é negociável. A justiça será buscada. Sempre.”
Atritos de longa data
Bolton foi o terceiro conselheiro de segurança nacional de Trump e ocupou o cargo por 17 meses. Durante esse período, entrou em choque com o então presidente em temas como Irã, Afeganistão e Coreia do Norte. Após deixar a Casa Branca, tornou-se crítico ferrenho de Trump e publicou o livro “The Room Where It Happened” (A Sala Onde Aconteceu), que detalha bastidores da gestão.
Na época do lançamento, autoridades acusaram Bolton de revelar informações confidenciais. Porém, em 2021, o Departamento de Justiça encerrou o processo e arquivou uma investigação paralela conduzida por um júri. Os advogados de Bolton sempre sustentaram que o manuscrito havia sido revisado por um funcionário do Conselho de Segurança Nacional, que concluiu não haver trechos sigilosos.
Revogação de autorizações
Em seu primeiro dia de volta ao cargo neste ano, Trump cancelou as autorizações de segurança de mais de 40 ex-oficiais de inteligência, incluindo Bolton. Ele também esteve entre os primeiros ex-membros da administração a perder o acesso a informações confidenciais.
A busca do FBI em sua residência adiciona um novo capítulo ao embate entre o presidente e antigos colaboradores, ampliando a percepção de que a Casa Branca atual endureceu sua ofensiva contra críticos internos e externos. Enquanto isso, Trump defende uma suposta “liberdade de expressão” e diz que é o Brasil que faz perseguições políticas. Estamos de olho.






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