Ex-secretário de Saúde Edmar Santos e seu executivo Gabriell Neves são condenados por superfaturamento na pandemia

Justiça aplica multa milionária e suspende direitos políticos de ambos

O ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos e o ex-subsecretário executivo Gabriell Neves foram condenados pela Justiça por superfaturamento em contratos de compra de insumos médicos durante a pandemia de Covid-19. A decisão é do juiz Daniel Calafate Brito, em sentença proferida em 19 de setembro.

Segundo a investigação, o prejuízo aos cofres do Estado do Rio chegou a R$ 5,8 milhões. O montante poderia ter sido muito maior — cerca de R$ 65 milhões — caso o Tribunal de Contas do Estado (TCE) não tivesse suspenso parte das aquisições.

Condenação e penalidades

A sentença atendeu ao pedido do Ministério Público do Rio (MPRJ), que apontou o início das irregularidades na gestão de Gabriell Neves com anuência de Edmar Santos.

Os dois foram condenados a:

  • pagamento de multa de R$ 11,7 milhões, o dobro do prejuízo apurado;
  • suspensão dos direitos políticos por 8 anos;
  • proibição de contratar com o poder público ou receber incentivos fiscais por 5 anos.

Ambos ainda podem recorrer da decisão.

Esquema de direcionamento de compras

De acordo com a investigação, houve fraude e conluio entre empresas convidadas para participar dos processos de compra emergenciais. Enquanto antes da pandemia a Secretaria de Saúde consultava até 200 empresas, sob a gestão de Santos e Neves o número caiu para menos de seis.

Foram identificados 14 processos de aquisição direcionados a apenas cinco fornecedores:

  • Avante Brasil
  • Sogamax Distribuidora
  • Speed Século XXI
  • Carioca Medicamentos
  • Lexmed Distribuidora

O TCE apontou ainda que algumas notas de autorização de despesas foram emitidas antes mesmo da apresentação das propostas das empresas, o que indicaria que a administração já sabia quem seria contratado.

Defesa dos acusados e empresas

A defesa de Edmar Santos afirmou que a decisão será contestada e que vai apresentar recurso.
Já a defesa de Gabriell Neves declarou que não existem provas que justifiquem a condenação.

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