Ex-presidente do BRB ocupa mesma cela da Papudinha em que esteve Bolsonaro

Paulo Henrique Costa ficará inicialmente em isolamento sanitário no batalhão da PM do DF e presídio já recebe apelido de “Tremembé de Brasília”

Transferido na última sexta-feira (9) do Complexo Penitenciário da Papuda para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, passou a ocupar a mesma cela que abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro no início deste ano.

A mudança de unidade prisional foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo apuração da coluna de Malu Gaspar no Globo, Costa permanecerá na cela individual por cerca de dez dias em razão de um protocolo de “isolamento sanitário” adotado pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.

A medida busca evitar o risco de transmissão de eventuais doenças ou infecções adquiridas no período em que o ex-dirigente do BRB esteve na Papuda. O procedimento costuma ser aplicado em transferências entre unidades prisionais.

Paulo Henrique Costa é investigado sob suspeita de receber seis imóveis de luxo como propina em troca de supostas facilidades relacionadas à compra de carteiras fraudulentas ligadas ao Banco Master.

Cela poderá voltar a receber Bolsonaro

Após o período de isolamento, a expectativa das autoridades do Distrito Federal é que Paulo Henrique Costa seja transferido para uma cela compartilhada com outros dois advogados presos na unidade.

A mudança ocorre porque integrantes do governo local ainda consideram possível um eventual retorno de Jair Bolsonaro à Papudinha.

O ex-presidente ficou detido no batalhão entre 15 de janeiro e 24 de março deste ano, antes de obter prisão domiciliar para tratamento de um quadro de broncopneumonia.

Na decisão que concedeu a prisão domiciliar, o ministro Alexandre de Moraes determinou prazo inicial de 90 dias para a medida. O período termina no fim de junho, quando o magistrado deverá reavaliar a situação de Bolsonaro e decidir se mantém ou revoga o benefício.

Na prática, integrantes do sistema prisional avaliam que o retorno do ex-presidente ao batalhão ainda não está descartado.

Papudinha ganhou apelido entre detentos

Embora esteja localizada na área do Complexo da Papuda, a Papudinha é administrada pela Polícia Militar do Distrito Federal e oferece condições diferenciadas em relação ao restante do sistema prisional.

Segundo relatos obtidos pela coluna, a unidade passou a ser chamada informalmente pelos próprios presos de “Tremembé de Brasília”, em referência ao presídio paulista que ficou conhecido por abrigar condenados em casos de grande repercussão nacional.

Entre os detentos que passaram pelo presídio de Tremembé, no interior de São Paulo, estão Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, os irmãos Cravinhos e Anna Carolina Jatobá.

A cela ocupada atualmente por Paulo Henrique Costa possui aproximadamente 55 metros quadrados.

Já Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e também investigado no caso, está preso em uma sala da superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, espaço com cerca de 12 metros quadrados.

Foi nessa mesma sala da PF que Jair Bolsonaro permaneceu preso temporariamente após tentar romper a tornozeleira eletrônica, em novembro do ano passado.

Estrutura oferece condições diferenciadas

O batalhão da Polícia Militar oferece condições consideradas superiores às encontradas em outras áreas do sistema penitenciário.

As instalações incluem chuveiro quente, cozinha para preparo e armazenamento de alimentos, geladeira, armários, televisão e cama de casal.

Os presos também recebem cinco refeições diárias — café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia — enquanto na superintendência da Polícia Federal normalmente são oferecidas apenas três refeições ao dia.

Outro diferencial é a possibilidade de banho de sol em área externa com acesso mais facilitado.

Na PF, o deslocamento até o pátio exige circulação por diferentes áreas administrativas da unidade.

Anderson Torres e Silvinei seguem presos no local

A Papudinha também abriga outros nomes ligados aos desdobramentos da tentativa de golpe investigada pelo STF.

Continuam presos na unidade o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.

Ambos foram condenados a 24 anos de prisão por participação na articulação de um golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Defesa cita possibilidade de colaboração premiada

O pedido de transferência de Paulo Henrique Costa para uma prisão especial em “sala de estado maior” foi apresentado por seus advogados, Eugênio Aragão e Davi Tangerino.

Na solicitação encaminhada à Justiça, os defensores argumentaram que as instalações da Papuda não garantiriam sigilo adequado para conversas relacionadas à estratégia de defesa.

Os advogados também sinalizaram “interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada”.

A eventual colaboração pode ampliar as investigações sobre o suposto esquema envolvendo o Banco Master e contratos ligados ao sistema financeiro.

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