A Justiça do Rio de Janeiro decidiu levar a júri popular o empresário Daniel Sikkema, acusado de mandar matar o ex-marido, o galerista americano Brent Sikkema. O cubano Alejandro Triana Prevez, apontado como executor do crime, também será julgado pelo Tribunal do Júri.
A decisão foi tomada pela 3ª Vara Criminal da Capital. Os dois réus respondem por homicídio qualificado por motivo torpe e fútil, além do uso de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima, informa a Folha de S.Paulo. O processo também considera como agravante o fato de o crime ter sido cometido contra uma pessoa com mais de 60 anos — Brent tinha 75 anos quando foi morto.
Galerista era referência no mercado de arte
O galerista era um dos nomes mais influentes do mercado internacional de arte contemporânea e proprietário da galeria Sikkema Jenkins & Co., em Nova York. Ele costumava passar temporadas no Brasil e mantinha uma residência no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio.
Segundo a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, Daniel Sikkema teria contratado Alejandro Triana Prevez para executar o assassinato em meio a disputas patrimoniais decorrentes da separação do casal. A Promotoria afirma que o empresário prometeu pagar US$ 200 mil ao cubano pela morte do ex-companheiro.
Investigação aponta planejamento do crime
De acordo com a denúncia, o crime aconteceu na madrugada de 14 de janeiro de 2024. Utilizando chaves fornecidas por Daniel, Prevez teria entrado na casa do galerista, ido até o quarto da vítima e desferido 18 facadas. O acusado também responde por furto. Conforme o processo, ele levou cerca de US$ 40 mil e R$ 30 mil guardados em uma cômoda do imóvel.
As investigações apontam que o dinheiro havia sido separado por Brent Sikkema para a compra de móveis destinados a um apartamento no Leblon, adquirido pouco antes da mudança planejada pelo galerista.
Relação entre acusados chamou atenção da polícia
A relação entre os acusados também chamou atenção da polícia. Alejandro Triana Prevez já havia trabalhado como segurança do ex-casal em uma propriedade em Havana, Cuba. Para os investigadores, Daniel Sikkema forneceu recursos financeiros para o planejamento do assassinato e compartilhou informações sobre a rotina do ex-marido.
Preso no Brasil, Prevez confessou o crime em um dos depoimentos prestados durante a investigação. Já Daniel foi detido pelo FBI nos Estados Unidos, em março de 2024, sob alegação de risco de fuga. Posteriormente, ele pagou fiança e passou a usar tornozeleira eletrônica.
Defesa nega participação no homicídio
A defesa do empresário nega qualquer envolvimento no homicídio. Em entrevista ao jornal The Wall Street Journal, Daniel afirmou: “Eu sou inocente e confio no sistema de Justiça”.






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