Douglas Ruas abre batalha contra Ricardo Couto e mira gastos de nomeações nos três Poderes

É guerra: presidente da Alerj anuncia comissão especial para analisar despesas com pessoal em meio às exonerações promovidas por Ricardo Couto

A criação de uma comissão especial para revisar despesas com pessoal e mapear cargos nos três Poderes aprofundou, nesta terça-feira (12), a tensão política entre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), e o governador em exercício, Ricardo Couto. O anúncio ocorre em meio à série de exonerações promovidas pelo desembargador desde que assumiu o comando do Palácio Guanabara.

Durante pronunciamento no plenário da Alerj, Ruas afirmou que a nova Comissão Especial para Contenção de Gastos Públicos terá a missão de analisar o crescimento das despesas com pessoal no estado e revisar o conjunto de leis que rege o funcionalismo fluminense. Segundo ele, o aumento das despesas teria superado o avanço das receitas estaduais nos últimos anos.

Pressão sobre os três Poderes

De acordo com a Assembleia, o colegiado deverá examinar os orçamentos do Executivo, Legislativo e Judiciário. Nos bastidores, aliados de Ruas afirmam possuir levantamentos que indicariam um percentual elevado de cargos comissionados no Tribunal de Justiça em comparação aos demais Poderes.

Ao defender a criação da comissão, Ruas declarou que o crescimento das despesas precisa ser contido para evitar novos desequilíbrios fiscais.

“Levantamento preliminar aponta que a despesa com pessoal no estado cresceu 43% nos últimos cinco anos, enquanto a receita do estado cresceu apenas 21%”, afirmou o presidente da Alerj.

A iniciativa foi aprovada por unanimidade durante reunião do colégio de líderes da Casa. O movimento também ocorre num momento em que deputados estaduais demonstram incômodo com as exonerações realizadas por Ricardo Couto, que atingiram indicações políticas ligadas a parlamentares da base estadual.

Exonerações ampliam desgaste

Desde que assumiu o governo interinamente após a renúncia de Cláudio Castro (PL), Ricardo Couto vem promovendo mudanças em diferentes setores da administração estadual. Conforme antecipado pelo jornal O Globo, o governador em exercício também prepara um projeto para limitar em 10% o número de cargos comissionados nas secretarias estaduais.

Na Alerj, parte dos parlamentares avalia que as mudanças acabam atingindo estruturas políticas montadas ao longo da gestão Castro. O movimento também ocorre num cenário pré-eleitoral, em que diferentes grupos disputam espaço para a sucessão estadual de 2026.

O líder do PSD na Assembleia, deputado Luiz Paulo, afirmou que o crescimento dos cargos ocorreu principalmente no Executivo, embora também tenha atingido outros Poderes.

Recado político

O discurso de Douglas Ruas também foi interpretado como um recado indireto ao ex-governador Cláudio Castro, aliado político do presidente da Alerj. Durante a fala, Ruas citou a necessidade de enfrentar o déficit fiscal que, segundo ele, vem pressionando o estado nos últimos anos.

Castro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O processo teve relação com o crescimento da folha de pagamento do Ceperj, alvo de investigações sobre contratações irregulares.

A disputa política também envolve a indefinição sobre a sucessão no governo estadual. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter Ricardo Couto no comando do Executivo fluminense até que a Corte conclua o julgamento sobre a realização de eleição direta ou indireta para substituir Castro até o fim do mandato.

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