A Guarda Costeira e o Exército dos Estados Unidos realizam nesta quarta-feira (7) uma operação para tentar apreender o petroleiro venezuelano Marinera, embarcação que navega sob bandeira russa e vem sendo escoltada por meios navais de Moscou. A informação foi revelada pela agência de notícias Reuters e confirmada por veículos internacionais que acompanham a movimentação militar no Atlântico Norte.
Segundo a imprensa estadunidense, o navio recebeu escolta de um submarino russo nos últimos dias, o que elevou o grau de complexidade da operação. Imagens divulgadas pela emissora russa RT, financiada pelo Kremlin, mostram um helicóptero tentando desembarcar tropas no petroleiro. De acordo com a emissora, a aeronave pertenceria às forças dos Estados Unidos.
Há divergência entre as agências sobre o estágio da operação. A Associated Press informou que tropas dos EUA chegaram a embarcar no petroleiro, enquanto a Reuters afirma que a apreensão ainda está em curso e que um submarino e um navio de guerra russos seguem escoltando a embarcação.
Escolta russa e mudança de identidade do navio
O Marinera era conhecido anteriormente como Bella 1 e navegava sob bandeira do Panamá. A interceptação inicial ocorreu em 16 de dezembro, quando a Guarda Costeira dos Estados Unidos tentou apreender o navio ao perceber que ele se aproximava da Venezuela. Na ocasião, a tripulação resistiu, alterou a rota e fugiu em direção ao Oceano Atlântico.
Após esse episódio, o petroleiro passou a receber proteção russa. Segundo informações do jornal The New York Times, a embarcação vinha do Irã e tinha como destino a Venezuela para carregar petróleo. Nos dias seguintes à interceptação frustrada, o navio teria pintado uma bandeira russa no casco e informado por rádio à Guarda Costeira dos EUA que navegava sob autoridade de Moscou.
Desde então, o petroleiro passou a constar nos registros oficiais como pertencente à Rússia, foi rebatizado como Marinera e teve como porto de origem declarado a cidade de Sochi, no mar Negro.
Pressão dos EUA contra a frota venezuelana
A perseguição ao Marinera faz parte da estratégia de pressão do governo do presidente Donald Trump contra o regime da Venezuela. A Casa Branca classifica o navio como integrante da chamada “frota fantasma” venezuelana, usada para burlar sanções internacionais.
Em dezembro, Trump anunciou um “bloqueio total” aos petroleiros venezuelanos e, ao longo de 2025, os Estados Unidos já apreenderam pelo menos duas embarcações carregadas com petróleo do país. Washington acusa o Marinera de navegar sob bandeira falsa e de transportar petróleo venezuelano para aliados do regime chavista, como a Rússia, a China e o Irã.
A Casa Branca sustenta que a abordagem de um navio que opera com bandeira falsa não viola o direito internacional.
Risco de escalada diplomática
A tentativa de apreensão, mesmo que não seja concluída, tem potencial para ampliar ainda mais as tensões entre Washington e Moscou. Nos últimos dias, o Kremlin enviou um pedido diplomático formal à Casa Branca solicitando que os Estados Unidos interrompessem a perseguição ao petroleiro.
O pedido foi feito na quarta-feira (31), mas, até a última atualização desta reportagem, nem o governo dos Estados Unidos nem o da Rússia haviam se manifestado oficialmente sobre a operação desta quarta-feira.
Sites de monitoramento marítimo indicam que o Marinera foi visto recentemente no Atlântico Norte, nas proximidades da Islândia.
Aumento da presença militar no Caribe
A ofensiva contra o transporte de petróleo venezuelano ocorre em paralelo a um reforço expressivo da presença militar estadunidense no Caribe. Em dezembro, a Guarda Costeira dos Estados Unidos interceptou dois petroleiros carregados com petróleo venezuelano na região.
Atualmente, mais de 15 mil soldados estadunidenses estão mobilizados no Caribe, incluindo um porta-aviões, outros 11 navios de guerra e caças F-35. Segundo o governo dos EUA, os meios militares são empregados para reforçar a aplicação das sanções econômicas contra Caracas.
Na semana passada, de acordo com a Reuters, a Casa Branca determinou que as Forças Armadas dos Estados Unidos concentrem esforços quase exclusivamente na aplicação do bloqueio ao petróleo venezuelano pelos próximos dois meses, o que indica que operações semelhantes à envolvendo o Marinera podem se tornar mais frequentes.






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