EUA fazem 3ª missão com bombardeiros e reforçam presença militar na costa da Venezuela

Movimentação intensifica pressão sobre país latino-americano e reacende temores de conflito e ingerência na região

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a reforçar sua presença militar no Caribe com o envio de bombardeiros estratégicos para a costa da Venezuela. Nesta segunda-feira (27), dois aviões B-1B realizaram uma missão de 14 horas, chegando a apenas 32 quilômetros do território venezuelano — o equivalente a 10 quilômetros do limite de seu espaço aéreo.

Foi a terceira operação do tipo em duas semanas. Em 15 de outubro, três B-52 escoltados por caças F-35 já haviam sobrevoado a região. O movimento foi repetido no dia 23, com a participação de outros dois B-1B.

Os voos integram o pacote de pressão militar de Trump sobre o presidente Nicolás Maduro, a quem o republicano acusa — sem provas — de manter vínculos com cartéis de drogas que operam na América Latina. O líder venezuelano, indiciado em 2020 por narcoterrorismo em um tribunal de Nova York, nega as acusações e diz que Washington busca o controle das vastas reservas de petróleo do país.

Pressão militar sem precedentes desde os anos 1990

A operação coloca na região o maior contingente militar estadunidense desde a intervenção no Haiti, em 1994. De acordo com fontes militares dos EUA, a mobilização atual é “extraordinariamente custosa” e tem alcance estratégico.

O dispositivo inclui um grupo expedicionário dos Fuzileiros Navais com três navios, destróieres, um cruzador e um submarino nuclear de ataque. Além disso, dez caças F-35 foram posicionados em uma base recentemente reaberta em Porto Rico.

Há ainda drones, aeronaves de reconhecimento e equipes de operações especiais instaladas próximas a Trinidad e Tobago, arquipélago vizinho da Venezuela. No domingo (26), um destróier estadunidense atracou em território trinitário, provocando reação imediata de Caracas, que rompeu acordos energéticos com o país insular na terça-feira (28).

Como sinal máximo de força, Trump determinou o envio do USS Gerald Ford — o maior porta-aviões do mundo e o primeiro de sua nova classe —, que deixou a costa da Croácia e deve chegar ao Caribe na próxima semana acompanhado por parte de sua escolta naval.

Entre ameaças e apelos por paz

Nos últimos dias, Nicolás Maduro alternou discursos desafiadores com apelos à paz. Em uma de suas falas, pediu “peace forever” e denunciou o que chamou de “guerra louca” promovida pelos Estados Unidos.

Fontes do governo estadunidense afirmam que Trump já autorizou a CIA a realizar operações secretas para “desestabilizar o regime de Maduro”. O republicano também vem adotando uma postura agressiva em relação à Colômbia, após chamar o presidente Gustavo Petro de “traficante”, rompendo décadas de parceria entre Bogotá e Washington.

Operações de combate e risco de conflito

Trump afirmou recentemente que “irá por terra” atrás dos traficantes e confirmou uma campanha militar que, segundo dados oficiais, já resultou em ao menos 43 mortes em dez ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas — duas delas próximas à costa da Colômbia.

Embora o envio dos bombardeiros e do porta-aviões aumente a possibilidade de um confronto, especialistas acreditam que Trump pode estar apostando em uma demonstração de força para provocar divisões dentro do governo venezuelano. O objetivo, segundo analistas, seria estimular um golpe interno que leve à substituição de Maduro por uma liderança militar disposta a negociar com Washington.

Ainda assim, o risco de escalada permanece. A Venezuela possui mísseis antinavio de origem russa, chinesa e iraniana, capazes de causar danos significativos em caso de ataque aéreo ou marítimo. Uma resposta armada de Caracas poderia colocar em xeque a narrativa da Casa Branca e reacender críticas internacionais contra os Estados Unidos.

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