EUA ampliam sanções contra líder cubano e familiares dos Castro em nova pressão sobre Havana

Governo Donald Trump inclui Miguel Díaz-Canel, parentes de Raúl Castro e entidades cubanas em nova rodada de medidas econômicas e políticas contra a ilha.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (4) uma nova rodada de sanções econômicas contra o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, além de integrantes da família Castro e entidades ligadas ao governo cubano. A medida foi divulgada pelo Departamento do Tesouro americano e faz parte da estratégia da administração de Donald Trump para ampliar a pressão sobre Havana.

Além de Díaz-Canel e sua esposa, as sanções atingem quatro pessoas e cinco organizações, incluindo o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba. Entre os nomes citados estão Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente Raúl Castro; seu neto, Raúl Alejandro Castro; e Manuel Anido Cuesta, enteado do atual líder cubano.

Díaz-Canel já havia sido alvo de sanções em julho do ano passado devido à repressão promovida pelo governo cubano durante os protestos populares registrados em 2021.

Nova escalada de pressão dos Estados Unidos

Ao anunciar as novas medidas, o presidente Donald Trump afirmou que deseja ver Cuba transformada em um país “bem administrado”. A declaração reforça a política adotada por Washington desde o início de seu segundo mandato, marcada pelo endurecimento das relações com o governo cubano.

No mês passado, os Estados Unidos já haviam sancionado outras 11 autoridades da ilha, incluindo o ministro das Comunicações, líderes militares e integrantes da principal agência de inteligência cubana.

As novas sanções fazem parte de uma ofensiva mais ampla que combina restrições econômicas, ações judiciais e um bloqueio petrolífero implementado desde o início deste ano.

Acusações contra Raúl Castro ampliam tensão diplomática

Entre as medidas adotadas pelo governo americano está o indiciamento do ex-presidente Raúl Castro, atualmente com 95 anos, por sua suposta participação na derrubada de dois aviões operados por exilados cubanos em 1996.

O episódio resultou na morte de quatro pessoas e ocorreu quando Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa. Segundo documentos apresentados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ele responde a acusações de homicídio, destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos.

Outras cinco pessoas também foram incluídas no processo judicial aberto pelas autoridades norte-americanas.

Crise econômica e negociações sem avanços

As novas medidas ocorrem em meio à pior crise econômica e humanitária enfrentada por Cuba desde a Revolução de 1959. O país sofre com escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, além de registrar uma das maiores ondas migratórias de sua história recente.

Apesar do aumento da pressão, Washington e Havana mantêm canais de negociação em busca de soluções para o impasse bilateral. Até o momento, porém, não houve avanços concretos.

Os Estados Unidos afirmam que o regime cubano representa uma ameaça à segurança nacional americana. Já o governo da ilha sustenta que está disposto a dialogar, desde que sejam respeitados os princípios de soberania do país.

Sinais de possível aproximação entre os governos

Especialistas observam que o governo cubano tem demonstrado sinais de abertura para futuras negociações. Entre os episódios recentes está a divulgação oficial da visita de um chefe da CIA à ilha, fato que anteriormente costumava ser mantido sob sigilo.

Além disso, Havana promoveu a libertação de presos políticos, medida interpretada por analistas como uma tentativa de criar um ambiente mais favorável ao diálogo com Washington.

Ainda assim, os Estados Unidos continuam cobrando mudanças estruturais no país, incluindo maior liberalização econômica, ampliação dos investimentos estrangeiros, fortalecimento do setor privado e reformas políticas que garantam mais liberdades civis e a libertação de presos considerados políticos.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading