O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (13) que as Forças Armadas americanas estão se preparando para ampliar a atuação contra organizações de narcotráfico na América Latina.
Durante visita ao Panamá, Hegseth disse que Washington pretende levar para operações terrestres na região métodos militares desenvolvidos durante décadas de combate a grupos terroristas no Oriente Médio e em outras áreas de conflito.
A estratégia prevê ações em conjunto com governos aliados e busca produzir em terra um efeito semelhante ao das operações americanas contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.
Colômbia e Equador entram na estratégia
Hegseth afirmou que os Estados Unidos trabalham com Colômbia, Equador e outros parceiros para levar o combate contra organizações de narcotráfico ao território terrestre. Segundo ele, os dois países já fazem parte da ampliação da cooperação militar americana na região.
Em março, Washington e Quito anunciaram operações coordenadas contra grupos ligados ao narcotráfico. Posteriormente, uma reportagem do New York Times apontou que uma ação apresentada como ataque contra traficantes teria atingido uma fazenda de gado e laticínios.
Nesta quarta-feira (12), os Estados Unidos também anunciaram uma parceria militar com a Colômbia. Segundo Hegseth, o governo colombiano autorizou operações conjuntas para combater organizações classificadas por Washington como ligadas ao narcoterrorismo.
Brasil fica fora da coalizão americana
A nova cooperação colombiana representa a entrada formal do governo do país no chamado Escudo das Américas, coalizão antidrogas liderada pelo presidente Donald Trump e formada por cerca de 20 países da América Latina e do Caribe.
Brasil e México não fazem parte do grupo. A posição brasileira também ganha relevância porque o governo Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, enquanto o Brasil não concordou com essa designação.
Questionado sobre a possibilidade de operações militares americanas em países que não mantêm parceria com Washington, o Departamento de Defesa dos EUA não respondeu.
Estratégia usa experiência da guerra ao terror
Hegseth afirmou que os Estados Unidos pretendem aproveitar no Hemisfério Ocidental a experiência acumulada durante aproximadamente 25 anos de operações contra organizações terroristas.
O secretário citou a chamada “kill chain”, conceito militar que reúne etapas como identificação, localização, acompanhamento e ataque de alvos. Segundo ele, essa capacidade foi aperfeiçoada para permitir que os Estados Unidos atinjam redes criminosas a milhares de quilômetros de seu território.
A estratégia também deve envolver o Comando Sul, responsável pelas operações americanas na América Latina e no Caribe, e o Comando Norte, que atua sobre Estados Unidos, México e Canadá.
Trump amplia pressão contra organizações criminosas
A declaração de Hegseth ocorreu um dia depois de Donald Trump ampliar outro mecanismo de combate a organizações criminosas transnacionais. Na quarta-feira, o presidente assinou um decreto que permite a empresas privadas americanas, sob supervisão federal, realizarem operações cibernéticas contra grupos que atuem fora dos Estados Unidos.
A medida prevê ações para interromper, degradar ou destruir sistemas e redes controlados por essas organizações. Embora PCC e CV não tenham sido citados nominalmente no decreto, grupos que se enquadrem nos critérios estabelecidos poderão ser alcançados pela iniciativa.
As novas medidas mostram uma mudança de escala na estratégia de Washington contra o narcotráfico, com maior integração entre capacidades militares, operações conjuntas com governos aliados e ferramentas cibernéticas.






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