Estreito de Ormuz vira alvo de ataque dos EUA enquanto Trump pressiona por acordo com Irã

Ataques atingiram lançadores de mísseis e embarcações iranianas em meio ao cessar-fogo na região

Os Estados Unidos voltaram a elevar a tensão no Oriente Médio após realizarem ataques classificados como “de autodefesa” contra posições iranianas na região do Estreito de Ormuz. A ação militar ocorreu nesta segunda-feira (25), enquanto seguem as negociações diplomáticas envolvendo Irã e o governo americano.

Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os alvos incluíram lançadores de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas marítimas na região estratégica para o comércio mundial de petróleo.

A ofensiva ocorreu em meio ao cessar-fogo mantido entre forças americanas e iranianas desde abril, período marcado por intensas negociações diplomáticas e sucessivos episódios de tensão militar.

Ataques no Estreito de Ormuz

O porta-voz do Centcom, Timothy Hawkins, afirmou que os ataques foram realizados para proteger tropas americanas diante de ameaças consideradas iminentes por parte das forças iranianas. De acordo com o comunicado, as operações ocorreram com “contenção”, apesar do cenário delicado envolvendo as negociações de paz.

O Estreito de Ormuz é considerado uma das áreas marítimas mais estratégicas do planeta, sendo rota fundamental para exportação global de petróleo e gás natural.

Nos últimos meses, o local voltou ao centro das atenções internacionais após sucessivos confrontos envolvendo embarcações militares dos EUA e forças ligadas ao Irã.

Trump amplia pressão

Enquanto os confrontos militares seguem acontecendo, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a pressão diplomática sobre países árabes e aliados regionais.

Trump defendeu nesta segunda-feira que países como Arábia Saudita, Catar e Paquistão normalizem relações com Israel como parte de um eventual acordo de paz envolvendo o Irã.

O republicano citou os Acordos de Abraão, firmados a partir de 2020, como modelo para ampliação da aproximação diplomática entre países árabes e Israel.

Apesar disso, governos como os da Arábia Saudita e do Catar seguem afirmando que não pretendem normalizar relações com Israel sem a criação de um Estado palestino independente.

Na manhã desta segunda-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, voltou a alimentar as expectativas de um acordo iminente, depois de ter afirmado no fim de semana que era possível que “o mundo recebesse boas notícias nas próximas horas”.

“Pensávamos que poderíamos ter notícias ontem à noite [domingo], ou talvez hoje [segunda-feira], mas eu não daria muita importância a isso”, afirmou Rubio em Nova Délhi, referindo-se ao acordo.

Acordo distante

Mesmo com o avanço das conversas diplomáticas, representantes iranianos indicaram que um acordo definitivo ainda está distante.

Uma delegação liderada por autoridades do Parlamento iraniano, do Ministério das Relações Exteriores e do Banco Central do país viajou ao Catar para discutir pontos considerados centrais nas negociações.

Entre os temas debatidos estão o controle do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e os recursos financeiros iranianos congelados no exterior.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que um acordo pode estar próximo, mas representantes iranianos evitaram confirmar qualquer avanço concreto.

Hezbollah aumenta tensão

A crise regional também ganhou novos contornos após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciar intensificação das operações militares no Líbano.

Netanyahu afirmou que ordenou novas ações para “esmagar” o Hezbollah após ataques com drones atribuídos ao grupo apoiado pelo Irã. O líder israelense também declarou que qualquer acordo final envolvendo Teerã deve eliminar completamente a ameaça nuclear iraniana.

Mesmo durante o cessar-fogo em vigor desde abril, o Irã continua mantendo controle sobre a navegação no Estreito de Ormuz, enquanto os EUA seguem impondo restrições e bloqueios contra portos iranianos.

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