O terceiro dia de julgamento da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado envolvendo Jair Bolsonaro (PL) teve uma cena curiosa no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, compareceu à sessão desta terça-feira (9) usando uma gravata de seda rosa com estampa de cachorrinhos, assinada pela grife italiana Salvatore Ferragamo.
A peça, que custa cerca de R$ 1.300 no site da marca, é descrita como um acessório que adiciona “toque de charme e expressão pessoal” aos trajes formais, transmitindo “energia e descontração”. O modelo também é vendido em versões azul e amarela.
Estilo e firmeza no plenário
Apesar do detalhe descontraído no visual, Moraes adotou um tom duro em seu voto. O ministro afirmou não haver dúvidas de que o país enfrentou uma tentativa de golpe de Estado, que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, e responsabilizou Bolsonaro pela articulação para se manter no poder após a derrota eleitoral de 2022.
“O líder do grupo criminoso deixa claro, de viva voz, de forma pública, que jamais aceitaria uma derrota nas urnas, uma derrota democrática nas eleições, que jamais cumpriria a vontade popular”, disse Moraes, ao analisar as provas contra o ex-presidente.
Ironia e referências
O ministro também ironizou menções feitas por Bolsonaro a integrantes da Corte durante reunião ministerial de 2022, utilizada como prova no processo. Ao citar a fala em que o ex-presidente chamou um magistrado de “marxista, advogado do MST”, Moraes brincou: “Não sou eu, ministro Flávio [Dino], a referência aqui é ao ministro [Edson] Fachin”.
Com o julgamento em andamento, a presença de Moraes continua a se destacar não apenas pelo rigor de suas declarações contra os acusados, mas também por detalhes inusitados como o adereço que virou comentário nos corredores do tribunal.






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