Estado investiga se direção do Carmela Dutra se omitiu sobre casos de assédio sexual

Após denúncias de assédio sexual de alunas do Instituto de Educação Carmela Dutra, em Madureira, a Secretaria de Educação vai investigar, além da conduta dos professores acusados, se os diretores da instituição cometeram prevaricação, crime praticado por servidor público que retarda ou deixa de cumprir um de seus deveres. Nesse caso, a obrigação seria levar…

Após denúncias de assédio sexual de alunas do Instituto de Educação Carmela Dutra, em Madureira, a Secretaria de Educação vai investigar, além da conduta dos professores acusados, se os diretores da instituição cometeram prevaricação, crime praticado por servidor público que retarda ou deixa de cumprir um de seus deveres. Nesse caso, a obrigação seria levar as denúncias das estudantes adiante.

A reportagem é do Globo online.

O corregedor da secretaria, Conrado Lassance, esteve na escola nesta terça-feira, acompanhando o secretário de Educação do estado, Alexandre Valle. Questionado sobre suposta lentidão da direção do Carmela Dutra diante das acusações e protestos feitos pelas estudantes, Lassance afirmou que a conduta dos gestores será avaliada.

— Essa suposta prevaricação da direção, que foi noticiada, nós também comungamos com o delegado Neilson. Ele falou que também avaliará isso. Nós também avaliaremos. Até o momento, não há registro no banco de dados da Seeduc de nenhum fato envolvendo esses dois servidores. Um deles tem um elemento informativo que ainda não está comprovado e, no caso do segundo servidor, não há nenhum elemento informativo contra ele. Nós vamos avaliar se ocorreu isso, mas ainda não há indicativo de prevaricação por parte desse processo  —   disse o corregedor, que completou garantindo que, em até 38 dias corridos, terá concluído a investigação.

O secretário Alexandre Valle disse que a sindicância é sumária, o que pode terminar com a exoneração dos envolvidos.

—   Se no final da corregedoria, da conclusão, eles tiverem a condenação, certamente a corregedoria e eu pediremos a exclusão deles (os professores) do quadro de servidores da casa (a Seeduc)  — disse.

A Secretaria de Educação do Estado está com uma sindicância em andamento, afastou dois professores e diz que “todas as notícias correlatas ao fato serão investigadas, nada será descartado”. A pasta explicou que, se os alunos alegam que fatos anteriores foram comunicados e os diretores não tomaram alguma atitude, então será apurada a prevaricação. Mas a Seeduc ressaltou que ainda não há  elementos informativos indicando esse crime funcional.

O corregedor e o secretário também estiveram na delegacia de Madureira (29ª DP), onde conversaram com o delegado Neilson Nogueira, à frente das investigações, e colocaram a secretaria à disposição da Polícia Civil. Nesta quarta-feira, pelo menos mais um responsável por uma aluna do Carmela Dutra vai prestar depoimento. Pais de duas supostas vítimas já foram ouvidas pela polícia.

Pai de uma aluna do 1º ano, mesma série das duas adolescentes cujos casos já foram incluídos no inquérito penal sobre o caso, Vanderson Dutra ficou preocupado logo nos primeiros dias de aula. Isso porque sua filha, de 14 anos, chegou em casa no dia 17 de fevereiro contando que um professor disse que se as alunas quisessem notas mais altas, bastava sair para jantar com ele.

— Minha filha comentou isso comigo às vésperas daquela manifestação (do dia 25). Aí eu falei que isso estava errado e que procuraria saber o que estava acontecendo. Um professor oferecendo jantar para as meninas?  —   questionou o pai.

Vanderson, que está acompanhando as informações prestadas pelo Instituto de Educação Carmela Dutra, não está satisfeito com as respostas. Ele afirma que, depois que começou a procurar saber mais sobre o que estava acontecendo na escola, soube de muitos relatos até mesmo de ex-alunos a respeito dos mesmos professores:

— Me acendeu o alerta. Se esse professor tem um histórico, já tendo feito isso outras vezes, parece que ele está sendo protegido. Mas porque e por quem?

A direção do colégio e a Secretaria de Educação montaram uma comissão de mulheres para acompanhar os casos. Mães de estudantes fazem parte desse grupo.

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