A tuberculose foi a segunda doença por infecção que mais causou mortes no Brasil, em 2022, sendo que o Rio de Janeiro ocupa o terceiro lugar em incidência da doença no país, com mais de 17 mil casos registrados no período, e o segundo em mortalidade.
Os dados são do Fórum da Tuberculose e foram apresentados, nesta terça-feira (22/10), durante audiência pública da Frente Parlamentar de Combate e Prevenção à Tuberculose, HIV e Diabetes, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O encontro aconteceu na sede do Parlamento, no Centro do Rio.
O mais preocupante é que a doença avança entre as populações mais vulneráveis, especialmente em favelas e periferias. Fatores como condições sanitárias precárias, desnutrição e moradias inadequadas aumentam os riscos de contrair a doença.
De acordo com o Fórum, o Rio de Janeiro conta com 13.150 favelas mapeadas, onde vivem cerca de 1,7 milhão de pessoas. Se essa população fosse agrupada como um estado, ele seria o quarto mais populoso do Brasil.
“Muitas vezes essas comunidades são inacessíveis para o SUS. Portanto, é fundamental reforçar a participação da sociedade civil na construção de soluções para os próximos anos”, pontuou a representante do Fórum, Juliana Reiche.
Integrante do Centro de Apoio Social Mulheres da Comunidade do Mato Alto, Carmem Lúcia, diz, contudo, que o trabalho de conscientização sobre a tuberculose tem se fortalecido nas comunidades periféricas.
“Falar sobre a doença ainda é desafiador devido ao estigma, mas iniciativas menores estão fazendo a diferença e a esperança é que esse movimento cresça. A luta é coletiva, pois a vulnerabilidade à tuberculose pode afetar qualquer um”, disse.
Ações parlamentares
Durante a reunião, o colegiado anunciou que avalia a viabilidade de destinar emendas impositivas do orçamento estadual ao Fórum de Tuberculose, uma iniciativa do movimento social organizado que luta contra a doença.
A presidente da frente, deputada Martha Rocha (PDT), destacou a importância do trabalho realizado pelo Fórum e pelas lideranças comunitárias no combate à tuberculose. Ela também enfatizou a intenção da Frente Parlamentar de destinar recursos para essa causa.
“Iremos realizar uma reunião de trabalho com o Fórum para verificar se estamos em conformidade com esses requisitos, a fim que possamos direcionar verbas. O trabalho do movimento comunitário é essencial no combate à tuberculose”, afirmou a parlamentar.
O subsecretário estadual de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mário Ribeiro, salientou a importância da discussão do tema.
“É fundamental que a tuberculose seja reconhecida como uma doença que realmente precisa ser combatida, e que existem recursos e estratégias disponíveis para preveni-la e enfrentá-la”, pontuou Ribeiro.





