Escalada de ataques criminosos reacende debate sobre segurança em Macacu

Deputado cobra resposta do Estado após ações contra comércio e serviços essenciais

A escalada de ataques do tráfico contra o comércio e serviços essenciais em Macacu chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Morador da região, o deputado estadual Bruno Boaretto (PL) usou o plenário da Casa na semana passada para cobrar reforço urgente no policiamento do município após novos episódios de violência registrados durante a madrugada.

Segundo o parlamentar, criminosos voltaram a agir contra estabelecimentos comerciais e provedores de internet, repetindo um padrão que tem se tornado frequente na cidade da Região Serrana.

Boaretto relatou que o prefeito Rafael Miranda (PP), representantes do comércio local e integrantes da comissão de segurança do município estiveram reunidos com o comando da Polícia Militar para apresentar denúncias e pedir apoio. O comandante da corporação, coronel Marcelo Menezes, segundo ele, assumiu o compromisso de reforçar o efetivo. Ainda assim, novos ataques foram registrados poucas horas depois.

“Cachoeiras de Macacu é uma cidade pacata, de médio porte, e não pode ficar refém de ações criminosas na madrugada que atingem em cheio o comércio e a população. Isso precisa de resposta rápida e à altura da Polícia Militar”, afirmou o deputado.

O parlamentar informou que seu gabinete formalizou novos pedidos de reforço e que também levará a demanda diretamente ao governador Cláudio Castro, cobrando medidas mais duras e permanentes para conter o avanço das facções no interior.

Tráfico avança sobre serviços essenciais

Cachoeiras de Macacu vive, desde o fim de 2025, uma sequência de ações atribuídas ao Comando Vermelho, que tenta expandir o domínio para além do tráfico de drogas, avançando sobre serviços como provedores de internet. Técnicos têm sido ameaçados, veículos incendiados e equipamentos vandalizados.

No início de janeiro, um carro de uma empresa de internet foi queimado após funcionários se recusarem a atender exigências criminosas. Em Papucaia, distrito do município, moradores relatam pichações, controle territorial e interrupções forçadas no serviço. Há registros de técnicos impedidos de trabalhar e coagidos a fornecer contatos dos donos das empresas.

Dados da segurança pública indicam que as apreensões de drogas no município cresceram cerca de 30% em 2025. Em maio do ano passado, um policial militar de folga foi morto por traficantes na região, episódio que marcou o agravamento do cenário local.

Pressão por resposta do Estado

A Polícia Militar, por meio do 35º BPM, iniciou operações como a AREP I e II para tentar conter os ataques, mas comerciantes e moradores afirmam que as ações ainda não foram suficientes para frear a atuação das facções.

No plenário, Boaretto alertou que o problema não se limita a Cachoeiras de Macacu e já se repete em outros municípios do interior fluminense. Para ele, a interiorização do crime exige uma reação coordenada e permanente do Estado.

“O bem precisa prevalecer. A população está aflita, amedrontada, e o Estado não pode falhar em garantir segurança a quem vive e trabalha nessas cidades”, disse.

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