Envio de telegramas volta a crescer e atinge maior volume desde 2018 no Brasil

Comprovação de entrega, exigências legais e avanço do home office mantêm serviço dos Correios relevante mesmo na era digital

Mesmo com a popularização de aplicativos de mensagens, e-mails e outras formas instantâneas de comunicação, o telegrama segue presente na rotina de parte da população e, principalmente, de empresas e órgãos públicos, informa reportagem do portal UOL. Em 2025, os Correios entregaram 4,18 milhões de telegramas em todo o país, número 29,8% superior ao registrado em 2024, quando foram enviados 3,22 milhões.

Os dados indicam uma retomada consistente do serviço, que havia perdido força ao longo da última década, mas voltou a crescer de forma contínua nos últimos cinco anos.

Maior volume desde 2018

O envio de telegramas atingiu, em 2025, o maior patamar desde 2018, quando foram registrados 4,8 milhões de documentos. Após uma queda anual até 2020, o serviço voltou a apresentar crescimento contínuo, impulsionado pela demanda por comunicações formais, urgentes e com valor jurídico.

Somente no último ano, o volume de 4,18 milhões de telegramas confirma a recuperação do serviço e reforça seu papel como ferramenta de comunicação institucional e legal em diferentes setores.

Uso concentrado em empresas e processos formais

Embora qualquer pessoa possa enviar um telegrama, o serviço é mais utilizado por pessoas jurídicas. Empresas e instituições recorrem ao mecanismo para convocações de concursos públicos, chamadas para perícias médicas, notificações administrativas e cobranças judiciais.

Segundo os Correios, a credibilidade do serviço é um fator decisivo. “Com alta credibilidade, o telegrama atende às prescrições legais e auxilia na comunicação com todos os cidadãos, independentemente de terem acesso aos demais canais digitais”, informou a estatal.

Prova de entrega sustenta relevância jurídica

A possibilidade de comprovar formalmente o envio e a entrega da mensagem é apontada como o principal diferencial que mantém o telegrama vivo, especialmente no âmbito da Justiça do Trabalho. A advogada especialista em direito trabalhista Bárbara Ferrari destaca que, mesmo com a modernização das relações profissionais, a exigência por registros formais permanece.

“Mesmo com a modernização das relações e o crescimento do home office, o processo trabalhista continua exigindo prova segura de que a empresa tentou comunicar o empregado de maneira formal e verificável”, explica.

Para empregadores e empregados, o telegrama funciona como um instrumento de proteção jurídica. A advogada trabalhista Zilda Ferreira afirma que empresas utilizam o serviço para convocar funcionários após faltas recorrentes, enquanto trabalhadores recorrem ao envio de telegramas para registrar irregularidades que possam embasar pedidos de rescisão indireta do contrato.

“O telegrama se consolidou historicamente como um meio tradicional de convocação e notificação e costuma ser bem aceito como evidência de tentativa de contato, com data, conteúdo e registros de envio e entrega”, diz Bárbara Ferrari.

Home office impulsiona demanda por comunicações formais

A ampliação do trabalho remoto desde a pandemia também contribuiu para a valorização do telegrama como alternativa de contato formal. Com a redução da comunicação presencial, empresas passaram a buscar meios que comprovem tentativas de orientação e convocação dos empregados.

“Nessas situações [de home office], a comunicação presencial fica inviável e a empresa precisa de um caminho que demonstre, de forma objetiva, que fez o possível para localizar e orientar o trabalhador”, afirma Bárbara. Segundo ela, o telegrama é adequado para convocações de retorno ao trabalho, pedidos de esclarecimento e aplicação de medidas disciplinares.

Limites das tecnologias digitais

Apesar do uso crescente de ferramentas digitais no ambiente corporativo, e-mails e aplicativos de mensagens ainda são vistos como meios frágeis do ponto de vista probatório em disputas trabalhistas. Para a advogada, a solução não está na substituição completa dos meios tradicionais.

“A orientação mais moderna e eficiente não é substituir o telegrama, mas combinar tecnologia com segurança jurídica”, avalia Bárbara Ferrari.

Prazo de entrega e custos

Os telegramas podem ser solicitados pelo site ou diretamente em agências dos Correios e são entregues, em geral, de segunda a sábado na maior parte do território nacional. O prazo de entrega pode ser de até quatro horas, variando conforme o horário de postagem e a localidade.

O custo mínimo para envio de um telegrama é de R$ 15,58, valor definido de acordo com o número de páginas. Serviços adicionais, como confirmação de entrega, recebimento de cópia do documento e local de postagem, podem elevar o preço final.

Mesmo em um cenário cada vez mais digital, os números mostram que o telegrama segue ocupando um espaço específico e relevante, sustentado pela necessidade de formalidade, segurança jurídica e comprovação documental.

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