O Carnaval de rua do Rio começou oficialmente nesta sexta-feira (13), nas ladeiras de Santa Teresa, com a saída do tradicional Bloco das Carmelitas às 14h. Criado em 1990, o cortejo virou símbolo da abertura da folia carioca e mantém, há mais de três décadas, uma das lendas mais conhecidas do bairro: a da freira que pula o muro do convento para brincar o Carnaval.
Carmelitas é tão tradicional e conhecido no Rio, que atrai multidões e turistas de todos os lugares. Diego Costa, psicólogo de 35 anos, é de Porto Alegre mas mora em Lisboa, Portugal. Ele veio para o Rio curtir o Carnaval pela primeira vez e escolheu se fantasiar de Elphaba, personagem do filme Wicked.
“Achei que era algo mais fácil trazer uma fantasia características, pintei o rosto de verde quando estava em casa no ar condicionado e agora, aqui no bloco, estou derretendo”, brinca.

A cidade do Rio entrou no nível Calor 3 às 11h40, segundo o Centro de Operações (COR) da prefeitura. O protocolo é acionado quando há registro de índice de calor alto — entre 36°C e 40°C — com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias consecutivos.
No entanto, o calor não atrapalhou os foliões. Giovanni Lima, 35, é auxiliar administrativo e se pintou todo de prata para interpretar o personagem Freddie Mercury Prateado, do programa humorístico Pânico na TV.
“Ele brinca com as pessoas, gosto muito. Por isso pensei nessa fantasia. Não tem calor que atrapalhe, é Carnaval no Rio”, celebra.

História
O bloco surgiu no segundo semestre de 1990 como uma homenagem a Laurinda Santos Lobo, socialite que transformou sua casa em um dos principais pontos de encontro da elite intelectual e artística do Rio nas primeiras décadas do século XX. A residência, que hoje abriga o Parque das Ruínas, ficava ao lado de um terreno onde amigos se reuniam para jogar futebol. Esse grupo deu origem ao bloco.
Já no ano seguinte à fundação, as Carmelitas passaram a abrir e encerrar o carnaval em Santa Teresa, com duas saídas: uma na sexta-feira que antecede a folia oficial e outra na terça-feira gorda, tradição que se mantém até hoje.
O nome do bloco faz referência ao Convento das Carmelitas, marco histórico do bairro. Daí nasceu a lenda que embala o cortejo: todos os anos, uma freira escaparia da clausura na sexta-feira para se misturar aos foliões, retornando ao convento na terça-feira.

Para garantir que a “fujona” possa brincar sem ser identificada, homens e mulheres usam hábitos de freira como fantasia. A irreverência também se manifesta em uma grande boneca que representa a carmelita mais animada do grupo e costuma arrancar aplausos do público.
Além do tom bem-humorado e das críticas sociais pontuais que marcam seus desfiles, o bloco também adota práticas voltadas à sustentabilidade, como ações de incentivo ao chamado ‘Carnaval Limpo’, com equipes responsáveis pela coleta de resíduos após o cortejo.
Considerado o festejo mais charmosos da cidade, as Carmelitas seguem fiéis à proposta original: celebrar o carnaval com leveza, tradição e ocupação cultural das ruas históricas de Santa Teresa






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