A Enel, responsável pelo fornecimento de energia elétrica para 73% do território do Rio de Janeiro, enfrenta uma onda de críticas, prejuízos relatados por clientes e uma investigação do Ministério Público Federal (MPF).
A concessionária lidera o ranking nacional de reclamações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e é alvo de um inquérito civil que apura falhas na prestação do serviço, segundo informações do repórter André Trigueiro, autor de reportagem apresentada na Globonews..
A investigação foi aberta dias antes de a Aneel recomendar a prorrogação da concessão da Enel por mais 30 anos, decisão que agora segue para análise do Ministério de Minas e Energia. Especialistas afirmam que o número de queixas contra a empresa aumentou significativamente nos últimos meses.
Discussão sobre os “expurgos”
O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) aponta que a Enel utiliza de forma excessiva os chamados “expurgos” — eventos extraordinários retirados do cálculo de desempenho. Enquanto a média nacional entre 2020 e 2024 foi de 54,73%, a Enel RJ apresentou 115,47%.
No período de 2022 a 2024, a média das distribuidoras foi de 69,45%, mas a Enel alcançou 165,28%. Para Serafini, esses números levantam dúvidas sobre os critérios que permitem a renovação da concessão.
A empresa, por sua vez, afirma que os expurgos estão previstos na regulamentação e são fiscalizados pela Aneel. Segundo a Enel, o aumento está relacionado à maior frequência de eventos climáticos extremos e todos os critérios legais foram respeitados.
Relatos de prejuízos
Em Niterói, a confeiteira Rafaela Panisset afirma que os apagões prejudicaram gravemente seu negócio, causando perdas estimadas em R$ 20 mil:
“Ficamos praticamente uma semana fechados. Nosso estoque descongelou e tivemos um transtorno enorme”, contou.
Em São Gonçalo, a empresária Adriana Lima, dona de uma padaria e de uma escola, diz ter perdido R$ 6 mil apenas no primeiro estabelecimento. Apesar de ter conseguido ressarcimento na Justiça, parte dos prejuízos ainda não foi compensada.
Ações na Justiça aumentam 30%
De acordo com a advogada Mariana de Azevedo Cunha Lopes, especialista em direito do consumidor, houve um aumento de 30% nas ações judiciais contra a Enel. Segundo ela, isso mostra que muitos clientes não conseguem resolver os problemas diretamente com a empresa:
“Além dos apagões, há falhas na religação de energia, defeitos nos medidores e atrasos para atendimento. Isso afeta tanto residências quanto comércios.”
Com o avanço das investigações, cresce a pressão sobre a Aneel e o Ministério de Minas e Energia para avaliar a recomendação de renovação da concessão. Enquanto isso, consumidores continuam enfrentando dificuldades com a instabilidade no fornecimento de energia.






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