Embaixador da UE no Brasil critica postura de Lula em relação aos regimes autoritários da esquerda em viagens internacionais

O embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, criticou neste domingo, a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação aos regimes autoritários de esquerda em suas últimas viagens internacionais, em janeiro deste ano. De acordo com informações do Globo online, o diplomata usou um artigo publicado pelo colunista do Globo e…

O embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, criticou neste domingo, a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação aos regimes autoritários de esquerda em suas últimas viagens internacionais, em janeiro deste ano.

De acordo com informações do Globo online, o diplomata usou um artigo publicado pelo colunista do Globo e da “Folha de S.Paulo” Demétrio Magnolli no qual analisa o discurso do presidente na Comunidade dos Estados Latino- Americanos e Caribenhos (Celec).

No artigo deste domingo, publicado na “Folha”, Demétrio aponta a falta de crítica por parte de Lula aos regimes da Venezuela, Cuba e Nicarágua. O colunista afirma que o presidente desperdiçou a “oportunidade de levantar a voz por eleições livres na Venezuela, uma abertura política em Cuba e o fim da selvagem repressão do regime de Ortega na Nicarágua”.

Ybáñez postou o artigo nas redes sociais e destacou o verso “O tempo passou na janela e só Carolina não viu”, de Chico Buarque, citado no artigo de Demétrio Magnolli.

Lula começou o seu governo tentando retomar a presença do Brasil nas agendas e negociações internacionais. Para isso, realizou logo em janeiro as suas primeiras viagens internacionais para a Argentina e Uruguai. Lá, Lula e o presidente da Argentina, Alberto Fernandéz, anunciaram que estão empenhados em avançar nas “discussões sobre uma moeda comum sul-americana”.

O presidente também tenta se aproximar da Europa. Em Montevidéu, o petista se comprometeu a acelerar o acordo entre União Europeia e o Mercosul e, na esteira dessa movimentação internacional, recebeu na última semana o chanceler alemão, Olaf Scholz, no Palácio do Planalto. Na ocasião, Lula afirmou que o acordo de comércio deve ser fechado até julho deste ano.

Lula adotou uma postura diferente dos europeus em relação à guerra na Ucrânia, se recusando a enviar munições para o país combater as forças russas.

— Alguma coisa tem que ser mudada. Não podem algumas coisas que estão lá. Temos que ser flexíveis, e eles também. Uma coisa que para nós é muita clara é (a questão das) compras governamentais. É uma forma de fazer crescer pequenas e médias empresas com investimento do governo. Estaríamos jogando fora uma forma de desenvolver essas empresas (se fossemos impedidos) — disse Lula.

As posições do governo brasileiro sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia causam mal estar entre membros da UE, que consideram que o Brasil — tanto com Bolsonaro antes, como com Lula agora — deveria ser mais firme em sua condenação aos ataques russos e tudo o que eles causam na Ucrânia e no resto da Europa .

Existe a percepção de que o governo Lula não entendeu, ainda, a gravidade da situação e mantém uma atitude de compreensão em relação às ações do governo de Vladimir Putin que é considerada inadmissível pela UE. Segundo fontes do bloco europeu, Scholtz saiu, nesse aspecto, profundamente preocupado do Brasil.

O governo alemão também anunciou um pacote de 200 milhões de euros em investimentos na proteção da Amazônia e no incentivo a energias renováveis no Brasil. Entre as medidas anunciadas está a liberação de 35 milhões de euros para o Fundo Amazônia.

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