Embaixada iraniana compartilha vídeo com IA em que Jesus ataca Trump e viraliza: ‘Seu acerto de contas chegou’

Conteúdo publicado por representação do Irã no Tajiquistão mistura sátira, geopolítica e inteligência artificial em meio à escalada de narrativas nas redes

Um vídeo gerado por inteligência artificial que mostra uma figura associada a Jesus Cristo descendo do céu e agredindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganhou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o uso político de conteúdos digitais manipulados. A publicação partiu da conta da embaixada do Irã no Tajiquistão na plataforma X e rapidamente se espalhou, alcançando milhões de visualizações em um ambiente já marcado por tensões entre os dois países.

A sequência apresenta a figura religiosa se aproximando de Trump e desferindo um soco, derrubando-o. No áudio, uma frase reforça o tom da produção: “your reckoning has come”, que significa algo como “a sua hora chegou” ou “o seu acerto de contas chegou”. A montagem utiliza ainda uma postagem anterior do próprio Trump na rede Truth Social como base narrativa.

Uso de IA vira ferramenta de disputa narrativa

O episódio não é isolado e reflete uma estratégia mais ampla de comunicação digital. De acordo com o site estadunidense The Hill, representações diplomáticas iranianas vêm recorrendo com frequência a conteúdos produzidos com inteligência artificial para satirizar adversários internacionais, incluindo Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

A lógica é adaptar a disputa política à linguagem das redes sociais, com estética viral e fácil compartilhamento. Produções com forte apelo visual, caricaturas e exageros buscam ampliar o alcance e influenciar percepções no cenário internacional.

Parte desses conteúdos estaria ligada a estruturas de mídia associadas ao governo iraniano, que utilizam recursos tecnológicos para produzir animações e vídeos com estética inspirada na cultura pop.

Resposta dos EUA e uso de linguagem digital

Do lado estadunidense, a comunicação política também tem incorporado elementos típicos da internet. O próprio Trump tem utilizado referências a videogames e cultura pop em postagens e conteúdos oficiais, muitas vezes como forma de resposta a críticas ou ataques.

O episódio dialoga com uma publicação anterior do presidente, na qual ele aparecia com traços associados a uma figura religiosa, semelhante a um sacerdote ou à própria imagem de Jesus Cristo. A imagem gerou críticas, inclusive entre apoiadores conservadores e religiosos, e acabou sendo removida.

Trump afirmou que se tratava de uma representação médica, enquanto o vice-presidente JD Vance classificou o conteúdo como “piada”.

Sátira, religião e cultura pop em novos conteúdos

A repercussão abriu espaço para novas produções. Entre elas está a animação “Fake Jesus”, também associada ao Irã, que retrata Trump como um personagem em estilo Lego, usando túnica vermelha e boné com o slogan MAGA, apresentado como um curandeiro autoproclamado.

O vídeo combina música e sátira, com o refrão “Fake Jesus!” e versos como “você veste a túnica e a luz brilhante, fingindo curar enquanto começa a lutar”. A narrativa contrapõe a imagem religiosa a cenas de conflito e destruição, além de símbolos dos Estados Unidos, como a Estátua da Liberdade e a águia-careca.

A produção leva a marca da Persiabol, também conhecida como PersiaBoi Studios, uma operação de mídia iraniana que utiliza inteligência artificial para criar conteúdos com temática geopolítica e estética inspirada na cultura digital contemporânea.

Alcance global e reações oficiais

O alcance do vídeo inicial evidencia o impacto desse tipo de conteúdo. A publicação somou cerca de 18,4 milhões de visualizações na conta diplomática iraniana e foi amplamente compartilhada por perfis influentes, acumulando milhões de interações adicionais.

As reações variaram entre comentários elogiosos e críticas irônicas, refletindo a polarização típica das redes sociais.

Autoridades dos EUA minimizaram o episódio. JD Vance afirmou que o caso “não tem relevância jornalística” e reiterou que Trump estava “fazendo uma piada”. Ele também declarou ser “totalmente razoável” o presidente entrar em conflito com o Papa Leão XIV e sugeriu que o Vaticano deveria “se ater a questões de moralidade”.

O Papa Leão XIV, por sua vez, afirmou em outra ocasião que “não tinha medo, nem da administração Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho”. Trump já havia criticado o pontífice, chamando-o de “fraco no combate ao crime e terrível em política externa”.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading