Em vitória do governo, Comissão do Senado aprova texto-base da reforma tributária

Por 20 votos a 6, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou na tarde deste terça-feira (7) o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária. Ainda serão analisados na comissão os destaques à proposta, com sugestões de alterações no texto principal. Após essa etapa, a PEC seguirá para…

Por 20 votos a 6, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou na tarde deste terça-feira (7) o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária. Ainda serão analisados na comissão os destaques à proposta, com sugestões de alterações no texto principal. Após essa etapa, a PEC seguirá para o plenário, o que deve ocorrer ainda esta semana. O governo, no entanto, está avaliando se terá votos suficientes para aprovação.

Caso o Senado aprove a proposta, há mais de três décadas sendo debatida, o texto precisará voltar à Câmara dos Deputados, uma vez que sofreu alterações feitas pelos senadores.

O governo, grande parte dos economistas e do setor empresarial entendem que a reforma tributária vai impulsionar a economia do país porque vai simplificar o sistema de cobrança de impostos. Espera-se também que a reforma baixará preços e dinamizar a produção.

Segundo a proposta, cinco impostos que existem hoje serão substituídos por dois IVAs (Impostos de Valor Agregado) — por isso, esse modelo é chamado de IVA dual:

Três tributos federais (PIS, Cofins e IPI) darão origem ao Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal.

ICMS (estadual) e o ISS (municipal) serão unificados no formato do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com gestão compartilhada entre estados e municípios.

No modelo do IVA, os impostos não são cumulativos ao longo da cadeia de produção de um item. Exemplo: quando o comerciante compra um sapato da fábrica, paga imposto somente sobre o valor que foi agregado na fábrica.

Não paga, por exemplo, imposto sobre a matéria-prima que deu origem ao sapato – a fábrica já terá pagado quando adquiriu o material do produtor rural.

O valor do IVA ainda vai ser estipulado, em uma regulamentação da PEC. A área econômica calcula que deverá ser algo em torno de 27,5% sobre o valor do produto, para manter a atual carga tributária do país, sem aumento ou diminuição.

Além disso, os impostos passarão a ser cobrados no destino final, onde o bem ou serviço será consumido, e não mais na origem. Isso contribuiria para combater a chamada “guerra fiscal”, nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios.

Segundo a proposta, o período de transição para unificação dos tributos vai durar sete anos, entre 2026 e 2032. A partir de 2033, os impostos atuais serão extintos. A transição foi prevista para não haver prejuízo de arrecadação para nenhum estado ou município.

Em 2026: haverá uma alíquota teste de 0,9% para a CBS (IVA federal) e de 0,1% para IBS (IVA compartilhado entre estados e municípios).

Em 2027: PIS e Cofins deixam de existir. CBS será totalmente implementada. Alíquota do IBS permanece com 0,1%.

Entre 2029 e 2032: redução paulatina das alíquotas do ICMS e do ISS e elevação gradual do IBS.

2033: vigência integral do novo modelo e extinção do ICMS e do ISS.

O texto mantém a criação de uma cesta básica nacional de alimentos isenta de tributos. Pela proposta, as alíquotas previstas para os IVAs federal e estadual e municipal serão reduzidas a zero para esses produtos.

Segundo o texto, caberá a uma lei complementar definir quais serão os “produtos destinados à alimentação humana” que farão parte da cesta.

Além disso, o relator no Senado, senador Eduardo Braga (MDB-AM), criou uma cesta básica “estendida” com alimentos que terão redução de 60% da alíquota.

O senador também manteve a possibilidade de criação futura, por meio de lei complementar, do chamado “cashback”. O mecanismo prevê a devolução de impostos para um público determinado com o objetivo de reduzir as desigualdades de renda.

Com informações do g1

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