Irã ameaça retaliar Israel e bases militares dos EUA se houver ataque

Governo iraniano endurece discurso após declarações de Donald Trump e avanço das manifestações no país, que já deixaram mais de cem mortos

O governo do Irã elevou o tom neste domingo (11) e advertiu que reagirá militarmente caso seja alvo de um ataque dos Estados Unidos. A ameaça inclui não apenas o território de Israel, como também instalações e meios militares estadunidenses na região, num momento em que o país enfrenta a maior onda de protestos internos desde 2022 e uma crescente pressão externa.

A declaração foi feita pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, em meio à escalada das tensões diplomáticas e à repressão nas ruas. Segundo a agência Reuters, Qalibaf afirmou: “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”.

Protestos e reação do regime

As manifestações contra o regime de Ali Khamenei tiveram início nos últimos dias de 2025 e, desde então, ganharam amplitude e intensidade. O movimento se espalhou por diversas cidades, desafiando as forças de segurança e expondo fissuras internas em um momento considerado delicado para Teerã.

Na sexta-feira (9), Khamenei se pronunciou em cadeia nacional e adotou uma linha dura, afirmando que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos. No discurso transmitido pela TV estatal, o aiatolá classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”, sinalizando que a repressão continuaria.

Ali Larijani, conselheiro próximo de Khamenei e chefe da principal agência de segurança do país, reforçou a narrativa oficial ao declarar que o Irã está “em plena guerra”. Segundo ele, parte dos episódios de violência teria sido “orquestrada no exterior”, argumento usado pelo regime para justificar o endurecimento das ações policiais e militares.

Acusações contra os EUA e resposta de Washington

O governo iraniano passou a apontar diretamente os Estados Unidos como responsáveis por incitar os protestos. As acusações, no entanto, foram rebatidas por Washington. Um porta-voz do Departamento de Estado classificou as declarações como “delirantes” e afirmou que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos enfrentados pelo regime iraniano.

A troca de acusações ocorre após falas recentes do presidente dos EUA, Donald Trump. No sábado (10), Trump afirmou que o Irã está “buscando a liberdade” e que os estadunidenses estão “prontos para ajudar”. Em declarações anteriores, ele já havia alertado que poderia intervir caso o regime iraniano matasse manifestantes pacíficos.

Repressão, mortes e contexto regional

Dados do grupo de direitos humanos HRANA, divulgados pela Reuters, indicam que ao menos 116 pessoas morreram desde o início dos protestos. A agência AFP relatou que a repressão se intensificou ao longo do sábado, com uso ampliado das forças de segurança para conter as mobilizações.

O Irã não enfrentava um levante dessa magnitude desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, detida pela polícia moral sob acusação de violar o código de vestimenta feminino, desencadeou protestos nacionais e atraiu forte condenação internacional.

As manifestações atuais acontecem em um cenário de fragilidade para Teerã. O país ainda lida com os impactos da guerra recente com Israel, com perdas estratégicas de aliados regionais, e com o recrudescimento da pressão internacional. Em setembro, a Organização das Nações Unidas restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano, aprofundando o isolamento econômico e diplomático do regime.

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