Em meio à disputa presidencial, 16% dos eleitores acham que o Brasil não é um país democrático, diz Datafolha

Pesquisa revela que eleitores de Flávio Bolsonaro são mais críticos ao regime democrático do que os de Lula; percepção sobre funcionamento das instituições entra na disputa presidencial

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Metade dos brasileiros considera que o país vive sob uma democracia com grandes problemas, enquanto 16% afirmam que o Brasil sequer pode ser considerado democrático. É o que revela a pesquisa Datafolha realizada nos dias 13 e 14 de outubro, em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As informações foram divulgadas pela Folha de S. Paulo.

Segundo o levantamento, 50% dos entrevistados classificam o regime brasileiro como uma democracia com grandes defeitos. Outros 23% reconhecem a existência de problemas menores, enquanto apenas 7% acreditam viver em uma democracia plena, sem falhas significativas.

Os resultados mostram que, embora a maioria reconheça a existência de um regime democrático no país, predomina uma avaliação negativa sobre a qualidade de seu funcionamento. Somadas, as respostas que identificam problemas graves ou pequenos chegam a 73% dos entrevistados.

A pesquisa ouviu 2.520 eleitores em todo o país, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e foi encomendada pela Folha de S.Paulo. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-0466/2026.

Desconfiança permanece elevada desde 2024

A percepção dos brasileiros sobre a democracia apresenta poucas mudanças em relação ao levantamento realizado pelo Datafolha em março de 2024, quando a mesma pergunta havia sido feita pela última vez.

Na ocasião, 46% dos entrevistados consideravam que o país vivia sob uma democracia com grandes problemas, percentual que agora subiu para 50%. Já a parcela que identificava apenas pequenas falhas caiu de 28% para 23%.

O grupo que considerava o Brasil uma democracia plena passou de 6% para 7%, enquanto a proporção daqueles que não reconhecem o país como democrático permaneceu estável em 16%.

A comparação com fevereiro de 2014, período marcado pelos desdobramentos das manifestações de junho de 2013 e pelo início da campanha que resultaria na reeleição de Dilma Rousseff (PT), revela mudanças importantes.

Naquele momento, 61% dos brasileiros apontavam problemas graves na democracia, 21% identificavam falhas menores e apenas 3% consideravam o regime plenamente democrático. Outros 9% afirmavam que o Brasil não era uma democracia.

Em uma década, portanto, cresceu a parcela da população que rejeita a classificação do país como democrático, passando de 9% para 16%, embora tenha diminuído o percentual daqueles que identificam grandes defeitos no sistema.

Eleitores de Flávio Bolsonaro são mais críticos à democracia

A pesquisa também revela diferenças expressivas entre os apoiadores dos dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 23% afirmam que o Brasil não vive sob uma democracia. Apenas 2% consideram o regime democrático plenamente consolidado.

Já entre os eleitores de Lula, o percentual dos que não reconhecem o país como uma democracia cai para 8%. Em contrapartida, 12% dos apoiadores do petista avaliam que o Brasil vive em uma democracia plena.

A diferença evidencia percepções distintas sobre o funcionamento das instituições brasileiras entre os dois grupos políticos.

No mesmo levantamento, Flávio Bolsonaro aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

No contexto da eleição presidencial, a avaliação sobre a democracia também se tornou um elemento de diferenciação entre os eleitorados dos dois candidatos.

Flávio defende mudanças para “redemocratizar o Brasil”

O debate sobre a qualidade da democracia brasileira ganhou espaço na campanha presidencial depois que Flávio Bolsonaro passou a questionar publicamente o funcionamento das instituições.

Em 6 de outubro, dois dias após superar Lula por 1,87 ponto percentual no primeiro turno, o senador anunciou que pretendia propor mudanças constitucionais para “redemocratizar o Brasil”.

Na ocasião, Flávio questionou a existência de uma democracia plena no país.

“Vocês acham que o Brasil está numa democracia plena hoje? É uma pergunta. Reflitam: o Brasil está numa democracia plena? Não”, disse o senador.

A declaração ocorreu em um contexto político marcado pela condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022.

Críticos da posição defendida por Flávio argumentam que, apesar dos problemas institucionais e dos conflitos entre os Poderes, o Brasil mantém os fundamentos do Estado Democrático de Direito estabelecido após o fim da ditadura militar-empresarial, em 1985.

Entre os principais argumentos estão a realização regular de eleições presidenciais livres desde 1989, a alternância de poder e a manutenção das instituições previstas na Constituição de 1988.

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