O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (3) que irá aos Estados Unidos para “defender o Pix” e voltou a atribuir a criação da ferramenta ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração foi dada durante o 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, realizado no Centro do Rio, onde esteve ao lado de lideranças da legenda no estado. Em discurso a apoiadores e aliados, Flávio afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos é “do Brasil”, “criado no governo Bolsonaro”, e fez críticas ao governo Lula (PT).
“A nossa verdade é a seguinte: nós defendemos o Pix porque ele é do Brasil, foi criado pelo presidente Bolsonaro, sem taxa. Eu vou lá para os Estados Unidos para defender nosso Pix, já que o atual presidente está se lixando para as empresas brasileiras”, disse o senador.
A fala ocorre em meio à discussão sobre tarifas comerciais aplicadas pelos EUA contra produtos brasileiros e sobre uma investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que apura suposto prejuízo causado pelo Pix às empresas estadunidenses.
Senador participa de audiência nos EUA na próxima semana
Flávio está inscrito para falar em audiência pública em Washington, na próxima terça-feira (7), sobre o tema. A viagem ocorre após o parlamentar enviar manifestação ao USTR na quinta-feira (2) defendendo o Pix e pedindo o adiamento das sobretaxas propostas por Donald Trump contra produtos brasileiros para depois do período eleitoral.
Na manifestação ao USTR, ele afirmou que o pix não substitui cartões de crédito, e sugeriu que o meio de pagamento não seja conectado a sistemas não ocidentais.
“Caminhos para a Solução. O sinal decisivo — um compromisso legislativo de que o PIX não será interconectado a arranjos de liquidação transfronteiriça não ocidentais […]. Instrumentos de pagamento privados — cartões de crédito e débito, e outros tipos de empresas — oferecem funções que o PIX não substitui, incluindo crédito ao consumidor, financiamento, proteção contra disputas e mecanismos de estorno”, afirma Flávio. Segundo ele, as sanções prejudicam investimentos dos EUA no país.
Embora o senador atribua a criação do Pix ao governo Bolsonaro, o sistema foi desenvolvido e é operado pelo Banco Central, começando a ser elaborado por técnicos da instituição ainda em maio de 2018, durante a gestão de Michel Temer. O lançamento, porém, ocorreu em novembro de 2020, quando Jair Bolsonaro estava na presidência.
Disputa pelo pix
A reivindicação entrou na disputa de narrativa entre governo e oposição. No mês passado, o senador exibiu um cartaz com a mensagem “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!”, um dia após Lula levantar outro que dizia “O Pix é do Brasil!”. No dia anterior, o Flávio foi chamado de “traidor da pátria” pelo petista.
O documento enviado por Flávio ao Estados Unidos nesta semana chegou e gerar reação de Lula, que criticou os pedidos feitos pelo parlamentar. Segundo o presidente, a possibilidade de novas taxas sobre o Brasil — as quais Flávio pede que sejam adiadas — existiriam por conta de articulações da família Bolsonaro. Também voltou a chamar o senador de “traidor da pátria”.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, disse Lula.






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