O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reafirmou neste sábado (23), durante as celebrações do Dia da Bandeira Nacional, que não entregará territórios à Rússia. Em publicação nas redes sociais, o líder destacou que o símbolo nacional “é o objetivo e sonho para muitos ucranianos em territórios temporariamente ocupados” e assegurou que o país seguirá defendendo sua soberania.
A declaração ocorre na véspera do Dia da Independência da Ucrânia, comemorado neste domingo (24). Durante cerimônia em Kiev, Zelensky ressaltou que “não entregaremos a nossa terra ao ocupante”, afirmando que a bandeira representa “tudo o que é mais caro a centenas de milhares dos nossos guerreiros”.
Em discurso emocionado no marco dos 31 anos de independência, o presidente disse que a invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro, representou um “renascimento” da nação ucraniana. “Uma nova nação apareceu no mundo em 24 de fevereiro às 4 horas da manhã. Não nasceu, mas renasceu. Uma nação que não chorou, não fugiu, não desistiu”, afirmou, vestindo uniforme militar diante do Monumento à Independência em Kiev.
Zelensky rejeitou qualquer possibilidade de acordo que resulte em ganhos territoriais para Moscou, incluindo áreas do leste e do sul ocupadas nos últimos meses, além da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. “Não vamos nos sentar à mesa de negociações por medo, com uma arma apontada para nossas cabeças. O que para nós é o fim da guerra? Costumávamos dizer: paz. Agora dizemos: vitória”, declarou.
Enquanto Kiev endurece o tom contra concessões, cresce a pressão diplomática internacional. Na última terça-feira (19), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia “ficará com muito território” em eventual negociação com Moscou, sem especificar quais regiões. Ele também declarou que o país terá “algum tipo de segurança, mas não nos moldes da Otan”. A Casa Branca confirmou que estão em andamento preparativos para uma reunião trilateral entre Trump, Zelensky e o presidente russo, Vladimir Putin.
No campo militar, forças ocidentais avaliam que a Rússia tem avançado pouco em sua ofensiva no leste e sul da Ucrânia, em combates descritos como lentos e desgastantes, comparáveis às batalhas da Primeira Guerra Mundial. A expectativa em Kiev é de que a guerra seja prolongada, com a população se preparando também para enfrentar um inverno marcado por escassez de energia.






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