O depoimento do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, à Polícia Federal trouxe novos elementos sobre a aplicação de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, operação que está no centro de apurações sobre a gestão do fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro.
Responsável pelo pagamento de cerca de 235 mil aposentados e pensionistas, o Rioprevidência administra recursos estratégicos para o equilíbrio das contas públicas. No depoimento, Deivis afirmou que a proposta de investimento partiu diretamente da área técnica da autarquia, mais especificamente do então diretor de investimentos, Euchério Lerner Rodrigues, que não se manifestou sobre o caso até o momento. As informações são do portal g1.
Origem da decisão e dinâmica interna
Ao detalhar o processo, Deivis explicou que a iniciativa de aplicação não partiu da presidência, mas da estrutura técnica responsável pelas decisões financeiras.
“Esse investimento é proposto pela Diretoria de Investimentos. Eu até li uma coisa assim, que o Comitê [de Investimentos] não tinha autorizado… o comitê não autoriza investimentos. A diretoria faz a proposição do investimento, e aí o investimento é feito, e o diretor de investimentos faz o encaminhamento, e eu assino juntamente com ele o investimento”, disse Deivis.
Questionado diretamente pelo delegado da PF sobre quem ocupava a diretoria de investimentos à época, ele confirmou:
“O diretor de investimentos na época era o Euchério. Eu cheguei em julho [de 2023] e o Euchério chega em… Se não me engano, em outubro.”
Ao ser indagado se teria sido o próprio diretor o responsável por indicar os aportes no Banco Master, Deivis respondeu afirmativamente.
Negativa de irregularidades e questionamentos sobre propina
Durante o depoimento, o ex-presidente também foi questionado sobre a existência de pagamento de vantagens indevidas relacionadas às operações financeiras investigadas.
“Não. Nenhum”, disse o ex-presidente do Rioprevidência.
Ele sustentou que as decisões seguiram os trâmites internos da autarquia e destacou limitações estruturais na análise de riscos mais complexos, inclusive no que diz respeito à avaliação de instituições financeiras.
“O Tribunal de Contas, eu lembro que na época, falou assim, tinha que fazer análise reputacional dos sócios. Não era obrigação”, disse Deivis.
Em outro momento, ao comentar a capacidade técnica do órgão, afirmou que o regime previdenciário não teria condições de identificar eventuais problemas que nem mesmo órgãos reguladores teriam detectado com facilidade.
Indicação ao cargo e versões divergentes
Deivis também negou que sua nomeação para a presidência do Rioprevidência tenha tido motivação política. No entanto, relatos de bastidores apontam que a indicação teria sido feita por Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
O ex-governador Cláudio Castro, responsável pela nomeação, disse não se lembrar da origem da indicação, mas admitiu a possibilidade de consultas informais.
“Posso ter consultado Rueda, mas não foi ele. Eu tinha 500 indicações”, disse Castro.
Volume de operações e sistema de assinaturas
Outro ponto abordado no depoimento foi o procedimento de formalização das operações financeiras. Deivis explicou que a autarquia utiliza um sistema de assinaturas em bloco para dar conta do grande volume de autorizações diárias.
“É no bloco, né? Os blocos que a gente usa para pagamento de contratos, pagamento de investimentos e demais autorizações. Todas elas são assinadas em bloco, porque senão, só um exemplo, seriam 400, 500, 600 assinaturas num dia, porque é um absurdo, o volume é muito grande. A gente paga, além de todos os contratos, 260 mil aposentadorias e pensões”, respondeu o ex-presidente do Rioprevidência.
Depoimento após prisão e avanço das investigações
O depoimento foi prestado no dia 3 de fevereiro, após Deivis ter sido preso na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Itatiaia, no Sul do estado. Ele havia retornado dos Estados Unidos por São Paulo e seguia de carro para o Rio de Janeiro.
As investigações continuam em andamento e buscam esclarecer não apenas a regularidade dos investimentos realizados, mas também eventuais falhas de governança e controle interno no fundo previdenciário estadual.






Deixe um comentário