Indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento em manipulação de resultados para beneficiar apostadores, o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, pode enfrentar punições severas tanto na esfera criminal quanto esportiva. A informação foi publicada inicialmente pelo portal G1.
O jogador de 34 anos é investigado por, supostamente, ter forçado um cartão amarelo na partida contra o Santos, válida pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2023. A conduta é enquadrada como estelionato e fraude em competição esportiva, conforme a nova Lei Geral do Esporte, sancionada em 2023.
Na seara criminal, o artigo 198 da Lei Geral do Esporte prevê reclusão de 2 a 6 anos, além de multa, para quem “solicita ou aceita e dá ou promete vantagem ou promessa de vantagem patrimonial ou não patrimonial para qualquer ato ou omissão destinado a alterar ou falsear o resultado de competição esportiva, ou evento a ela associado”.
Apesar da gravidade, especialistas avaliam que, por se tratar de crime sem violência ou grave ameaça, as penas costumam ser mais brandas. Como Bruno Henrique não possui antecedentes criminais, caso venha a ser condenado, pode cumprir pena em regime semiaberto ou aberto, a depender da dosimetria da punição.
Na esfera esportiva, as consequências podem ser ainda mais drásticas. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) já sinalizou que pode reabrir a investigação à luz das novas provas. Inicialmente, em 2023, o órgão havia arquivado a apuração por falta de indícios. Agora, com o avanço das investigações criminais, o caso volta ao radar esportivo e pode culminar em suspensão temporária ou até mesmo no banimento do futebol brasileiro.
“A punição pode variar de um ano até o banimento do futebol”, explica o advogado Gustavo Lopes Pires de Souza, doutor em Direito e mestre em Direito Esportivo. Segundo ele, mesmo que o STJD aplique uma punição válida apenas no Brasil, isso não impede que Bruno Henrique atue em outros países — ao menos inicialmente.
Entretanto, o cenário muda caso a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) encaminhe o caso à Fifa. A entidade máxima do futebol pode estender a sanção para outras ligas filiadas no mundo todo. “Se a Fifa determinar a suspensão global, ele ficará impedido de jogar em qualquer liga filiada à entidade, o que inclui praticamente todos os países do planeta, inclusive a Rússia, que ainda respeita as normas da Fifa”, acrescenta Souza.
Em última instância, Bruno Henrique poderá recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), órgão máximo da Justiça desportiva internacional, caso venha a ser sancionado em definitivo.
A defesa do jogador não divulgou posicionamento até o momento.





