Em 132 anos de história, Supremo Tribunal Federal teve apenas três mulheres entre 171 ministros

Em 132 anos de história, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve 171 ministros. Só três são mulheres. Ellen Gracie, a primeira, foi indicada em 2000 por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para a vaga deixada por Luiz Octavio Pires e Albuquerque Gallotti. Seis anos depois, Cármen Lúcia assumiu uma cadeira na Corte pela indicação de Lula,…

Em 132 anos de história, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve 171 ministros. Só três são mulheres. Ellen Gracie, a primeira, foi indicada em 2000 por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para a vaga deixada por Luiz Octavio Pires e Albuquerque Gallotti. Seis anos depois, Cármen Lúcia assumiu uma cadeira na Corte pela indicação de Lula, ainda em seu primeiro mandato.

Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indique um homem para a vaga que será aberta no fim deste mês com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, o STF voltará à composição que tinha há 23 anos – quando nos seus quadros havia apenas uma mulher, a ministra Ellen Gracie.

Rosa Weber, que hoje preside o Tribunal, entrou em 2011 para substituir Gracie. Há uma expectativa de que outra mulher seja indicada para assumir a sua vaga para que a quantidade de ministras não seja reduzida no Supremo.

Nos corredores do Planalto, no entanto, não há sinais de que isso vá acontecer. Segundo informações do jornal O Estado de São Paulo, o presidente tem dito que quer indicar uma pessoa de sua confiança para a vaga, com quem possa “trocar ideias”, e não tem em vista o nome de nenhuma mulher.

Como forma de compensar a possível indicação de um homem para a vaga de Rosa Weber, Lula tem prometido mais mulheres em outros tribunais, a exemplo da indicação da advogada criminalista Daniela Teixeira para uma das cadeiras do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A escolha de uma pessoa para o cargo de ministro do Supremo tem poucos requisitos constitucionais: reputação ilibada, notável saber jurídico e pelo menos 35 anos. De acordo com a cientista política Marjorie Marona, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), esses requisitos legais são atravessados por fatores políticos.

“Nem sempre essas duas demandas – governabilidade e representatividade -, que são igualmente legítimas e que fazem parte da dinâmica política da democracia constitucional, são convergentes”, disse a professora, que também é coordenadora do Observatório da Justiça Brasileira.

Para Marona, caso Lula indique um homem para a vaga de Rosa Weber, haverá um custo político pelo conflito com o clamor de vários setores por uma mulher. “Já temos uma sub-representatividade de gênero (no STF)”.

A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Celestina Sales, enxerga uma mudança no perfil das reivindicações das mulheres nos últimos vinte anos. “No início do século XX, a luta era para expandir direitos, para entrar no mercado de trabalho, por educação. Dos anos 2000 para cá, há uma grande luta das mulheres pelos espaços de poder”.

Para ela, dentre os Três Poderes, o Judiciário é o mais difícil nesse quesito. “Principalmente em um espaço como o STF, que é de muito poder”, afirmou Sales, que é pós-doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Lisboa.

O anuário Justiça em Números 2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), publicado no dia 1 de setembro, mostra que a média total dos órgãos do Judiciário tem 38% de magistradas. Quando se olha para a segunda instância (Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunais Regionais Federais) esse número cai para 25%. Algumas Cortes não têm mulheres.

Com informações do Terra.

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