Cármen Lúcia, em homenagem ao Dia da Mulher: ‘Dizem que fomos silenciosas, mentira; fomos silenciadas’

Ministra é a única mulher entre os 11 ministros do STF. Em toda a história de 132 anos do STF, ela é uma das três mulheres da Corte

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou em discurso emocionado nesta quinta-feira (7), em homenagem ao Dia da Mulher, que as mulheres foram silenciadas ao longo da história.

Cármen Lúcia atualmente é a única mulher entre os 11 ministros do tribunal. Em toda a história de 132 anos do STF, ela é uma das três mulheres que já foram ministras. As outras duas são as ministras aposentadas Rosa Weber e Ellen Gracie.

– Dizem que nós fomos silenciosas historicamente. Mentira. Nós fomos silenciadas, mas sempre continuamos falando, embora muitas vezes não sendo ouvidas – afirmou a ministra.

Nesta sessão especial, o STF tem na pauta processos relativos aos direitos das mulheres. Entre eles, a ação que questiona o uso, em processos na Justiça, de estratégias de desqualificação e culpabilização das vítimas de crimes sexuais.

A ministra também falou da necessidade de promoção de paz, especialmente no ambiente doméstico. Citou estatísticas de feminicídio no ano passado. São 1.700 crimes desse tipo cometidos em todo o país e 988 tentativas.

– Num país que assassina mulheres (…), num país em que as crianças são também assassinadas até mesmo no espaço doméstico, é preciso se dizer que este país precisa muito que nós todos comecemos a pensar sob o prisma da promoção da paz e não apenas de combate [à violência] – afirmou Cármen. – Porque nós estamos descartando o presente e destruindo ilusão com o futuro de humanidades e respeito à vida – completou a ministra.

Cármen Lúcia também lembrou a desigualdade a que as mulheres estão sujeitas no mercado de trabalho e nas instituições públicas, inclusive no Judiciário.

Com informações do g1.

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