A comemoração pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou contornos de confronto político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira (27). Durante o expediente inicial da sessão, a deputada Élika Takimoto (PT) celebrou o resultado das urnas, mas também criticou, sem mencionar seu nome, a postura da colega Índia Armelau (PL), que se tornou alvo de uma investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) por suposto incentivo à discriminação de trabalhadores em razão de suas preferências eleitorais.
A crítica ocorreu depois de Índia Armelau publicar uma mensagem sobre a relação entre empresários e empregados que manifestaram apoio a Lula. Na segunda-feira (26), a parlamentar defendeu que empresários possam escolher profissionais alinhados aos valores de suas empresas e negou ter incentivado demissões em massa.
Na tribuna, Élika classificou como inadmissível qualquer tentativa de punir trabalhadores por suas escolhas políticas e afirmou que a Assembleia não pode tratar esse tipo de manifestação como algo normal. “E agora temos parlamentares bolsonaristas, inclusive desta Casa, incentivando empresários a demitir quem fez o L. Isso é um total absurdo. A gente não pode normalizar isso aqui dentro”, declarou.
Crítica à discriminação no trabalho
Élika afirmou que divergências eleitorais não podem servir de justificativa para perseguições profissionais. “Coagir alguém a votar ou não votar é crime eleitoral. E demitir alguém que pensa diferente fere a Constituição”, disse.
A deputada também mencionou relatos de pressões sobre trabalhadores durante a campanha presidencial. Segundo ela, a coligação de Lula recebeu diversas denúncias, enquanto o Ministério Público do Trabalho teria registrado quase 2 mil queixas de assédio eleitoral.
Reclamações sobre transporte no dia da votação
Além das críticas ao assédio eleitoral, Élika questionou problemas no transporte público registrados durante o segundo turno, realizado no domingo (25). A parlamentar afirmou que a falta de ônibus em diferentes regiões do país teria dificultado o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
Segundo a deputada, houve relatos de problemas em pelo menos oito estados. Ela destacou especialmente a situação de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, onde, de acordo com seu discurso, eleitores enfrentaram longas esperas nos pontos de ônibus e precisaram caminhar até as seções eleitorais. “Quem tira ônibus da rua num domingo sabe muito bem quem vai ficar a pé”, afirmou.
Élika também criticou a atuação da Justiça Eleitoral. Segundo seu relato, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Cássio Nunes Marques, foi informado dos problemas pela manhã, mas não adotou uma decisão imediata.
A parlamentar mencionou ainda uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada no fim da tarde, quando parte das seções eleitorais já havia encerrado a votação. “Quantos brasileiros deixaram de votar enquanto o TSE esperava?”, questionou.
Virada de Lula no Rio ganha destaque
Outro ponto do pronunciamento foi o desempenho eleitoral de Lula no Rio de Janeiro. Élika destacou a recuperação do presidente no segundo turno, especialmente na capital fluminense, onde, segundo os números apresentados por ela, o petista venceu por uma diferença superior a 113 mil votos.
A parlamentar lembrou que o campo político ligado ao PT não conquistava uma vitória presidencial na cidade havia 12 anos. Ela atribuiu o resultado à mobilização de militantes e apoiadores nas três semanas que separaram os dois turnos. “E o Rio respondeu: aqui na capital, onde fomos perdidos no primeiro turno, nós viramos e Lula venceu por mais de 113 mil votos”, comemorou.
Segundo Élika, Lula também ampliou sua votação no conjunto do estado, passando de aproximadamente 39% para quase 47% dos votos. Para a deputada, o resultado demonstra que o eleitorado fluminense permanece politicamente disputado. “O Rio não tem dono e nós não vamos retroceder”, afirmou, dirigindo a mensagem aos adversários políticos.







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