A vontade de renovar a política brasileira continua presente entre os eleitores independentes, mas esbarra na percepção de que a corrida presidencial de 2026 deverá permanecer concentrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. É o que revelam duas pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest durante o mês de maio.
Os estudos, obtidos com exclusividade pelo Estadão/Broadcast, mostram que uma parcela significativa dos eleitores que não se identifica nem com o lulismo nem com o bolsonarismo demonstra frustração com a ausência de alternativas competitivas fora dos dois principais campos políticos do País.
A primeira pesquisa acompanha, desde agosto do ano passado, um grupo de 20 eleitores independentes. Já a segunda foi realizada por meio de cinco grupos focais distribuídos em diferentes regiões do Brasil, reunindo participantes com perfil semelhante.
Mesmo desejando mudanças, muitos eleitores acreditam que a polarização continuará dominando o cenário político nacional.
Desejo por renovação esbarra na falta de alternativas
De acordo com a coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, Luciana Andrade, os entrevistados demonstram preocupação com a ausência de lideranças capazes de romper a disputa entre os dois polos políticos mais fortes do País.
Segundo ela, existe uma percepção consolidada de que nenhum nome fora da polarização reúne força suficiente para alcançar o segundo turno da eleição presidencial.
Essa sensação acaba influenciando diretamente a intenção de voto de parte dos eleitores independentes, que afirmam considerar o apoio ao candidato visto como o “menos pior” diante do cenário apresentado.
Outro grupo de entrevistados afirma que pode até mesmo optar pela abstenção caso não encontre uma candidatura capaz de representar suas expectativas.
Lula e Flávio enfrentam resistências entre independentes
Os levantamentos indicam que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro acumulam pontos de desgaste junto ao eleitorado independente.
No caso do presidente, os participantes citaram preocupações relacionadas à política fiscal e ao desgaste de imagem após anos de protagonismo na política nacional. Além disso, muitos afirmam que o atual mandatário já não desperta o mesmo entusiasmo observado em eleições anteriores.
Já Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos relacionados ao caso envolvendo o banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Também pesa contra ele a percepção de que uma eventual gestão representaria uma continuidade direta do legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar das fragilidades identificadas nos dois principais nomes, os eleitores continuam enxergando dificuldades para o surgimento de uma candidatura competitiva fora desse eixo político.
Caiado é associado à segurança, mas enfrenta baixa projeção nacional
Entre os pré-candidatos avaliados como alternativas à polarização, Ronaldo Caiado aparece como um nome reconhecido por sua experiência política e firmeza administrativa.
A melhora dos indicadores de segurança pública em Goiás é apontada como um dos principais ativos do governador junto aos eleitores independentes. O tema continua sendo uma das maiores preocupações do eleitorado.
Por outro lado, os participantes destacam que Caiado ainda possui baixo nível de conhecimento em várias regiões do País, especialmente fora do Centro-Oeste. Sua forte ligação com o agronegócio também contribui para a percepção de que estaria mais próximo dos interesses das elites econômicas.
Zema é visto como gestor eficiente, mas distante do eleitor
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, recebeu avaliações positivas relacionadas à sua capacidade de gestão e administração.
No entanto, os entrevistados demonstraram dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral em uma disputa nacional. Entre os pontos negativos mais citados aparecem a falta de empatia, a dificuldade de comunicação com o eleitor comum e o baixo grau de conhecimento fora da região Sudeste.
Além disso, declarações polêmicas atribuídas ao político continuam sendo lembradas durante os debates realizados nos grupos focais.
Mesmo sendo reconhecido como um nome relevante da direita, muitos participantes afirmam conhecer pouco sobre sua trajetória e propostas.
Renan Santos ganha visibilidade, mas ainda enfrenta desafios
O pré-candidato da Missão, Renan Santos, permanece pouco conhecido entre os eleitores independentes, mas apresentou avanço em sua percepção pública durante o período analisado.
Segundo a Quaest, parte desse crescimento ocorreu após a repercussão da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Alguns eleitores que demonstravam proximidade com o senador passaram a considerar Renan como uma alternativa possível.
Apesar disso, sua candidatura ainda enfrenta obstáculos significativos. Os entrevistados afirmam ter dificuldade para associá-lo a realizações concretas e também não o enxergam, neste momento, como um concorrente capaz de disputar efetivamente a Presidência da República.
A pesquisa mostra ainda que parte do eleitorado associa sua imagem a interesses das camadas mais privilegiadas da sociedade, fator que limita sua capacidade de expansão junto a segmentos mais amplos do eleitorado.






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