Eleição em Israel coloca Netanyahu sob pressão e deixa futuro governo nas mãos de aliados

Ex-general Gadi Eisenkot lidera a disputa direta pela chefia do governo, mas a composição do Parlamento e as alianças entre partidos serão decisivas para definir o próximo premiê israelense.

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Os eleitores de Israel vão às urnas nesta terça-feira (27) para escolher os integrantes do Parlamento, em uma eleição que pode determinar o fim do período de poder acumulado pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Apesar da disputa entre o atual chefe de governo e o ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, o resultado dependerá também das alianças entre os partidos.

Ao todo, 36 listas partidárias disputam o voto dos israelenses, mas as pesquisas mais recentes indicam que aproximadamente 11 devem conquistar cadeiras no Knesset, como é chamado o Parlamento israelense, composto por 120 integrantes.

A eleição não define diretamente o primeiro-ministro. O resultado das urnas determinará a distribuição das cadeiras, e a capacidade de reunir apoio parlamentar será decisiva para a formação do próximo governo.

Netanyahu tenta permanecer no poder após mais de 19 anos

Aos 77 anos, Netanyahu é o político que mais tempo acumulou à frente do governo israelense. Ele ocupou o cargo entre 1996 e 1999, voltou em 2009 e permaneceu até 2021, quando foi afastado por uma coalizão de adversários. No fim de 2022, retornou ao comando do país com o apoio de partidos ultraortodoxos e de extrema direita.

A campanha do premiê destaca as operações militares realizadas após o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023. Netanyahu sustenta que os confrontos na Faixa de Gaza, no Líbano e com o Irã reforçaram a segurança de Israel. Ele atribui a dirigentes militares e de inteligência a responsabilidade pelas falhas que permitiram o ataque.

O primeiro-ministro também enfrenta um julgamento por corrupção, acusações que nega, e um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por suspeitas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza, que também rejeita. Na política interna, sua gestão é marcada pela controvérsia sobre a reforma do Judiciário e pela disputa em torno do serviço militar obrigatório para homens ultraortodoxos.

Eisenkot apresenta alternativa de centro ao atual governo

Gadi Eisenkot, de 66 anos, é o principal adversário de Netanyahu na disputa pela chefia do governo. Militar de carreira, comandou o Estado-Maior das Forças Armadas entre 2015 e 2019 e ingressou na política em 2022, na aliança Unidade Nacional, liderada por Benny Gantz. Em 2025, criou o próprio partido, o Yashar, com uma proposta de centro.

Segundo pesquisa do Canal 12 divulgada na sexta-feira (23), Eisenkot aparece com 44% das preferências em uma comparação direta sobre quem seria mais adequado para ocupar o cargo de primeiro-ministro. Netanyahu registra 38% nesse cenário.

Após os ataques de 7 de outubro de 2023, Eisenkot participou como observador do gabinete de guerra do premiê. Oito meses depois, deixou o colegiado e passou a criticar a condução do conflito. Durante a guerra, perdeu um filho e dois sobrinhos, mortos em combate.

Programa de Eisenkot diverge de Netanyahu em temas internos

Apesar de se opor ao governo atual, Eisenkot mantém posições próximas às de Netanyahu em questões de segurança. Em entrevista à agência Reuters, rejeitou a criação de um Estado palestino e defendeu o desmantelamento da capacidade militar do Hamas.

Na Cisjordânia ocupada, apoia a existência de assentamentos israelenses dentro dos limites da legislação de Israel, mas critica a violência de colonos contra palestinos e os projetos de expansão territorial defendidos pelo atual governo. Os assentamentos israelenses em território palestino ocupado são considerados ilegais pelo direito internacional.

O programa do Yashar prevê a criação de uma comissão de investigação sobre as falhas que permitiram os ataques de 7 de outubro, medidas para reduzir o custo de vida e a ampliação do serviço militar ou civil a todos os cidadãos, incluindo os ultraortodoxos. Eisenkot também defende a independência do Judiciário.

O ex-general descarta formar um governo com Netanyahu, embora não exclua uma aliança com o Likud, partido do atual premiê, caso ele deixe a liderança da legenda.

Partidos árabes podem influenciar a formação da maioria

A composição de uma eventual coalizão de Eisenkot é um dos principais desafios da oposição. O candidato rejeita incluir partidos árabes no governo enquanto eles não aceitarem princípios como o reconhecimento de Israel como Estado judeu e democrático e a universalização do serviço militar ou civil.

As legendas árabes podem conquistar 14 cadeiras, segundo a projeção do Canal 12. Esse número pode ser decisivo para a formação de uma maioria parlamentar, mas as restrições impostas por Eisenkot dificultam as negociações.

A distribuição das cadeiras também poderá favorecer outros líderes da oposição, que precisarão decidir se apoiam o ex-general ou se apresentam alternativas para a formação do governo.

Naftali Bennett tenta voltar ao comando do país

Naftali Bennett, de 54 anos, é outro nome importante na disputa. Ex-integrante das forças especiais, empresário do setor de tecnologia e antigo assessor de Netanyahu, ele chegou ao cargo de primeiro-ministro em 2021, liderando uma coalizão que reunia partidos de diferentes orientações políticas, inclusive o Ra’am, de representação árabe.

O governo durou pouco mais de um ano. Bennett foi sucedido por Yair Lapid, conforme um acordo de alternância no poder, antes que a eleição de 2022 devolvesse Netanyahu ao cargo.

Agora, os dois ex-premiês disputam a eleição pela aliança B’Yachad (Juntos), liderada por Bennett, com Lapid na segunda posição. O Canal 12 projeta 15 cadeiras para o grupo, que aparece como a terceira maior força na pesquisa.

Na comparação direta sobre a preferência para primeiro-ministro, Bennett registra 39%, empatado com Netanyahu. Apesar de integrar a oposição, ele ainda não se comprometeu a apoiar Eisenkot em um eventual governo.

Lieberman rejeita acordo com Netanyahu e partidos árabes

Avigdor Lieberman, de 68 anos, também pode influenciar as negociações. Fundador do Yisrael Beiteinu, partido de direita secular, ele já ocupou os ministérios das Relações Exteriores, da Defesa e das Finanças.

Aliado de Netanyahu durante anos, Lieberman rompeu com o premiê em 2018, quando deixou o Ministério da Defesa em protesto contra uma trégua com o Hamas.

O político rejeita participar de um governo com Netanyahu, com partidos ultraortodoxos ou com legendas árabes. Também descarta apoiar um governo minoritário, alternativa discutida para viabilizar uma coalizão de oposição.

Seu partido aparece com oito cadeiras na pesquisa do Canal 12. Na comparação sobre a preferência para primeiro-ministro, Lieberman registra 28%, enquanto Netanyahu alcança 40%.

Yair Golan representa a ala de esquerda da oposição

Outro integrante da oposição é Yair Golan, de 64 anos, general da reserva que ganhou projeção ao resgatar pessoas durante os ataques do Hamas em 2023. Ele lidera os Democratas, partido formado pela união entre o Trabalhista e o Meretz, duas forças de esquerda.

Diferentemente de outros adversários de Netanyahu, Golan admite a participação de uma legenda árabe no próximo governo e defende iniciativas diplomáticas para enfrentar o conflito entre israelenses e palestinos.

A pesquisa do Canal 12 atribui dez cadeiras ao partido. O resultado poderá contribuir para as negociações de uma eventual coalizão de oposição, embora as divergências entre as legendas permaneçam como um obstáculo.

Presidente indicará parlamentar para tentar formar governo

Após a apuração, o presidente de Israel, Isaac Herzog, consultará os partidos e indicará um parlamentar para tentar formar o próximo governo. A escolha não precisa recair sobre o líder da legenda mais votada, mas sobre quem demonstrar melhores condições de conquistar a confiança do Parlamento.

O resultado da eleição, portanto, não será suficiente para determinar sozinho quem ocupará o cargo de primeiro-ministro. A capacidade de negociar com outras forças políticas será fundamental para alcançar a maioria necessária.

Com Eisenkot, Bennett, Lieberman e Golan defendendo caminhos diferentes para a oposição, as alianças posteriores à votação poderão definir se Netanyahu continuará no poder ou se Israel terá um novo governo.

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